Pamela Camocardi

Os opostos só se atraem na física. Na vida real a história é bem diferente…

Imagem: Google, Creative Commons

Não se iluda, a terceira Lei de Newton não tem validade sobre os relacionamentos. Se na física os opostos se atraem, na vida real as coisas são bem diferentes: calmaria não combina com tempestade; campo não combina com cidade; silêncio não combina com barulho e fanatismo não combina com ninguém.

Imagino que, ao ler esse texto, há quem esteja esbravejando e dizendo “o amor supera tudo” e que meus argumentos são fracos. Mas, primeiro, tente conviver com alguém diferente de você por um ano, depois conversaremos.

A vida não é a música “Eduardo e Mônica” do Renato Russo (desculpem a sinceridade). O diferente atrai, encanta, seduz, mas não aguenta o tranco da rotina. Ter uma pessoa diferente ao nosso lado ensina um monte de coisas bacanas e até ajuda na relação, mas isso a curto prazo. O encanto pelo diferente acaba na primeira discussão de divergências.

Vamos aos fatos: você gosta de ler, ele odeia. Você gosta de conversar sobre tudo, ele gosta do silêncio. Você ama balada e ele, se pudesse, hibernaria. Sinceramente, qual a probabilidade desse relacionamento dar certo?

Todos nós temos o desejo de viver um grande amor. Temos curiosidade de explorar o desconhecido e viver uma história nada convencional, mas isso é uma aventura amorosa, não uma meta de relacionamento.

Ter pequenas divergências é comum, até porque, ninguém é igual a ninguém: ela torce para o Corinthians, você para o Palmeiras. Ela curte rock, você pagode. Ela ama desenhos, você seriados. Até aí, pequenos ajustes na rotina são aceitáveis. O problema está em conviver com uma pessoa totalmente diferente de você. Acredite, é possível conviver com as diferenças, mas é impossível aceitar as incompatibilidades. Como diz Fernando Anitelli: “Os opostos se distraem…Os dispostos se atraem…”.

Relacionamento não é uma luta de UFC, onde vence quem tem mais força. Relacionamento quando não é leve, quando não trouxer paz e não acrescentar sentimento não vale a pena. Lidar com grandes diferenças torna o dia a dia uma batalha constante e o parceiro deixa de ser um porto seguro para se tornar o principal inimigo.

Carpinejar tem uma frase que define bem o comportamento de quem se aventura no “relacionamento da oposição”: “Os opostos se atraem, mas não conseguem permanecer juntos (os parecidos se repelem e ficam juntos). O que se mostrava maravilhoso e definitivo, a sedução da diferença, a atração de um continente desconhecido são substituídos pela tentativa de moldar o outro aos seus gostos.

Contos de fadas, ficção científica e diferenças nos relacionamentos só servem para roteiros de filmes. Na vida real, meu caro, a história é bem diferente.

Pamela Camocardi

A literatura vista por vários ângulos e apresentada de forma bem diferente.

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