A Netflix acertou em cheio com “O Eternauta”, nova série argentina baseada na icônica HQ de Héctor Germán Oesterheld e Francisco Solano López. Lançada em 2024, a produção não apenas conquistou os fãs da obra original, como também se tornou um fenômeno global, liderando o TOP 10 da plataforma em nada menos que 87 países.
Ambientada em uma Buenos Aires dos anos 1950, a trama acompanha Juan Salvo (vivido por Ricardo Darín, em uma atuação poderosa), um homem comum que vê sua vida virar de cabeça para baixo após uma nevasca radioativa — parte de uma invasão alienígena — cair sobre a cidade. Ao lado de sua família e de um grupo de sobreviventes, Juan tenta resistir à ameaça silenciosa que toma conta do planeta.
Com direção de Bruno Stagnaro, a série é ao mesmo tempo uma obra de ficção científica envolvente e uma metáfora política contundente. A narrativa ecoa as críticas sociais da HQ original, escrita em plena efervescência política da Argentina, e faz paralelos com temas atuais como autoritarismo, desinformação e resistência popular.
Visualmente, O Eternauta impressiona. A ambientação caprichada recria com precisão a atmosfera gelada e opressora de uma cidade sitiada, enquanto os efeitos visuais — usados com parcimônia — intensificam o sentimento de isolamento e perigo constante. A direção de arte e a trilha sonora contribuem para o clima sombrio que acompanha cada episódio.
O sucesso da série não é surpresa: O Eternauta era aguardada há anos como uma das adaptações mais ambiciosas da Netflix na América Latina. E o resultado entregou o que prometeu — e mais. Além de encantar o público argentino, a série despertou a curiosidade de espectadores ao redor do mundo, figurando entre os títulos mais assistidos da plataforma em idiomas não-ingleses.
Mais do que uma simples aventura pós-apocalíptica, O Eternauta é um retrato do medo e da coragem em tempos extremos. É também um lembrete de que, em meio ao colapso, a solidariedade e o senso coletivo ainda podem ser as maiores armas da humanidade.
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