Marcel Camargo

Não seja a pessoa que diminui as conquistas dos outros

Talvez uma das reações mais raras de se encontrar seja a de alegria verdadeira pelas conquistas que não são nossas. Parece que vários seres humanos têm a tendência natural a reagir mal com o sucesso dos outros. Basta, por exemplo, notar as tentativas de difamação que começam a sofrer as pessoas que passam a fazer sucesso.

Exemplo recente disso ocorreu com aquele senhor que começou a fazer sucesso repentino e estrondoso quando um vídeo de seu canal do You Tube viralizou. Pipocaram notícias de que ele fosse pedófilo, as quais foram comprovadamente desmentidas. Isso abala qualquer um, ainda que se trate de mentira, porque a internet não dá muito tempo para os acusados se defenderem. E a injustiça corre solta.

Saudável seria se as pessoas usassem o sucesso dos outros como fonte de inspiração, para tentarem chegar até onde o outro estiver, usando o seu melhor, suas potencialidades. Todo mundo é capaz de se destacar por algo seu. Mas não, muitos simplesmente desejam que o outro caia de onde estiver, sem piedade, porque não acreditam em si mesmos, não se percebem como alguém de valor, alguém capaz de vencer através de caminhos ético e limpos. Talvez se sintam sujos e queiram espalhar essa sujeira sobre o outro, para tentarem se sentir menos desprezíveis.

Quem não conhece alguém que sempre diminui e desmerece o sucesso alheio? Se alguém passa na faculdade, comentam que o curso é pouco concorrido. Se alguém é promovido, falam que tem costa larga. Se alguém compra um carro, apontam os defeitos daquele modelo. Não conseguem sorrir com a felicidade de ninguém, apenas jogam baldes de água fria em volta de si.

Na verdade, teremos que nos bastar e ter a consciência do quanto lutamos para chegar onde estivermos. O pior a se fazer é aguardar que o outro aplauda ou elogie os nossos ganhos. A certeza de que estamos no caminho certo e fizemos por merecer será sempre maior do que o desdém de qualquer um. Não se incomode com gente que não torce por você e, mais importante: não seja esse tipo de gente!

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar". É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.

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