À primeira vista, a foto parece ter saído diretamente de um álbum dos anos 1970. Quatro jovens posam sorridentes em uma rua cercada por prédios, usando vestidos curtos, botas, saltos e penteados que combinam perfeitamente com a época. Nada muito suspeito. Pelo menos até alguém resolver prestar atenção nos pulsos.
A proposta do teste é simples: existe um detalhe na imagem que não combina com 1977. E ele foi colocado de propósito justamente porque consegue passar despercebido no meio de tantos elementos visuais.
Antes de procurar a resposta, vale observar a fotografia com calma. Os prédios não parecem estranhos, as roupas são compatíveis com décadas passadas e até um relógio eletrônico poderia, em tese, aparecer naquele período.
Esse último ponto torna a brincadeira um pouco mais traiçoeira.
Relógios digitais já existiam nos anos 1970. O Hamilton Pulsar, por exemplo, havia sido apresentado ainda em 1970, enquanto modelos com telas de cristal líquido começaram a aparecer nos anos seguintes. Em 1977, a Hewlett-Packard chegou a lançar o HP-01, um enorme relógio-calculadora com dezenas de pequenos botões. Ou seja: simplesmente encontrar algo eletrônico preso a um pulso não seria suficiente para condenar a fotografia.
A diferença está no tipo de aparelho.
Os relógios digitais da década de 1970 eram bem diferentes dos atuais. Muitos tinham mostradores de LED ou LCD e funções bastante limitadas. A própria Seiko registra que lançou em 1975 um modelo digital multifuncional com cronômetro, tecnologia avançada para o período. Já um sistema de computador de pulso com recursos como agenda e armazenamento de informações só apareceria anos depois, como no Seiko UC-2000, de 1984.
E agora chegamos ao pequeno intruso temporal da foto.
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Observe o pulso da segunda jovem da esquerda, a que usa o vestido estampado. Ali aparece um relógio pequeno, escuro e retangular, com aparência praticamente idêntica à de um smartwatch moderno.
É um detalhe discreto o bastante para o cérebro aceitar sem reclamar. Estamos tão acostumados a ver relógios inteligentes que um deles pode ficar bem no meio de uma cena supostamente registrada em 1977 e ainda assim parecer perfeitamente normal. O cérebro humano, essa sofisticadíssima máquina capaz de aprender idiomas e esquecer onde deixou a chave cinco minutos depois, simplesmente segue adiante.
Há uma curiosidade histórica que deixa o teste ainda melhor. Embora existissem relógios digitais sofisticados naquela época, o formato e a proposta dos smartwatches atuais pertencem a uma fase tecnológica muito posterior. Em 1977, um dispositivo de pulso capaz de fazer cálculos já era suficientemente impressionante para custar centenas de dólares e exigir uma pequena caneta para apertar seus botões.
Resposta: o detalhe que denuncia a imagem é o smartwatch no pulso da segunda menina da esquerda. Ele é moderno demais para uma fotografia de 1977.
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