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Esta música nasceu em 1955 e resistiu ao tempo de um jeito que poucas canções conseguiram

Em 1955, as rádios norte-americanas viviam uma mudança que logo ultrapassaria fronteiras. O rock and roll ganhava espaço entre os jovens, o rhythm and blues chegava a públicos cada vez maiores e baladas românticas continuavam dominando boa parte das paradas.

Foi também um período em que artistas como Chuck Berry, Little Richard, Fats Domino e Bo Diddley ajudaram a estabelecer elementos que se tornariam familiares no rock das décadas seguintes. Ao mesmo tempo, intérpretes como The Platters, Tennessee Ernie Ford e Julie London emplacavam gravações de estilos muito diferentes.

Alguns sucessos associados a 1955 haviam sido gravados pouco antes, caso de “Rock Around the Clock”. Outros chegaram às lojas naquele próprio ano. O ponto em comum é que todos tiveram presença importante naquele momento e continuaram circulando muito depois de saírem das paradas.

1. Rock Around the Clock — Bill Haley & His Comets

“Rock Around the Clock” foi gravada em 1954, mas 1955 foi o ano em que a canção realmente se transformou em fenômeno. Sua inclusão no filme Blackboard Jungle ajudou a apresentar o rock and roll a uma audiência muito maior. A Biblioteca do Congresso registra relatos de jovens dançando nos corredores dos cinemas durante as exibições.

A gravação de Bill Haley & His Comets tornou-se um dos primeiros grandes sucessos nacionais do gênero. A combinação de elementos do western swing, do jump blues e de outras tradições musicais ajudou a estabelecer um modelo que seria explorado por muitos artistas nos anos seguintes.

2. Maybellene — Chuck Berry

Chuck Berry chegou às paradas em 1955 com “Maybellene”, uma gravação em que guitarra, velocidade, automóveis e linguagem juvenil apareciam lado a lado.

A Biblioteca do Congresso aponta a música como um exemplo da aproximação de Berry entre influências da música country e o rhythm and blues. Essa mistura se tornaria uma das características de seu trabalho e teria enorme influência sobre o desenvolvimento do rock.

A guitarra ganhou enorme destaque na faixa, ajudando a consolidar Berry como um dos nomes centrais daquela nova geração de músicos.

3. Tutti Frutti — Little Richard

Em setembro de 1955, Little Richard entrou em um estúdio de Nova Orleans ainda procurando a gravação capaz de impulsionar sua carreira. A sessão não começou particularmente bem.

A situação mudou quando o músico tocou uma composição que já fazia parte de suas apresentações. A letra foi adaptada antes da gravação comercial e o resultado foi “Tutti Frutti”, lançada naquele mesmo ano.

A Biblioteca do Congresso, que posteriormente incluiu a gravação no National Recording Registry, destaca a interpretação vocal de Little Richard e o ritmo da música como elementos decisivos daquela fase inicial do rock and roll.

4. Ain’t That a Shame — Fats Domino

Fats Domino já tinha uma carreira estabelecida no rhythm and blues quando “Ain’t That a Shame” ampliou consideravelmente seu público em 1955.

Seu estilo combinava piano, ritmo de Nova Orleans e uma interpretação vocal imediatamente reconhecível. O sucesso ajudou Domino a ocupar espaço no mercado pop justamente quando as barreiras entre rhythm and blues e o nascente rock and roll começavam a ficar menos rígidas.

A música ganhou ainda novas gravações de outros artistas, prática bastante comum nos Estados Unidos da década de 1950, quando versões destinadas a públicos diferentes frequentemente disputavam as mesmas paradas.

5. Only You (And You Alone) — The Platters

Os Platters gravaram “Only You” em abril de 1955. Poucos meses depois, a música estava nas paradas.

Segundo a história oficial do grupo, a execução da canção pelo influente radialista Alan Freed ajudou a acelerar a ascensão dos Platters naquele ano.

Com Tony Williams nos vocais principais, “Only You” ajudou a transformar o grupo em um dos conjuntos vocais mais reconhecidos da década. Seu arranjo contido contrastava fortemente com o rock acelerado que começava a aparecer nas mesmas emissoras.

6. The Great Pretender — The Platters

O sucesso de “Only You” não ficou isolado. Ainda em 1955, os Platters apresentaram “The Great Pretender”, composição de Buck Ram, empresário e principal responsável por parte do repertório do grupo.

A gravação reforçou a combinação de harmonias vocais sofisticadas com um formato suficientemente acessível para as rádios populares.

Era uma demonstração de como o cenário musical daquele ano estava longe de ser dominado por um único gênero. Enquanto guitarras e pianos davam novo ritmo às pistas de dança, grupos vocais continuavam alcançando audiências enormes.

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7. I Got a Woman — Ray Charles

“I Got a Woman” havia sido gravada no fim de 1954, mas ganhou projeção nacional em 1955. Segundo o site oficial de Ray Charles, foi seu primeiro sucesso de alcance nacional.

A importância da gravação está ligada principalmente à forma como Charles combinou elementos do gospel com blues e rhythm and blues. O próprio acervo dedicado ao músico destaca esse período como fundamental para o estilo que posteriormente seria associado ao desenvolvimento da soul music.

A carreira de Ray Charles ainda produziria sucessos muito maiores, mas aquela música indicava claramente a direção que ele estava tomando.

8. Bo Diddley — Bo Diddley

Poucos artistas conseguiram se apresentar ao público de maneira tão direta quanto Bo Diddley. Seu primeiro single trazia seu próprio nome no lado A: “Bo Diddley”.

Lançada em 1955, a gravação se destacava especialmente pela estrutura rítmica. O baterista Clifton James, a guitarra de Diddley e as maracas de Jerome Green ajudaram a formar uma batida que se tornaria intimamente ligada ao cantor.

No outro lado do disco estava “I’m a Man”, que também se tornou sucesso. As duas gravações foram posteriormente preservadas pelo National Recording Registry dos Estados Unidos.

9. Sixteen Tons — Tennessee Ernie Ford

Entre tantos sucessos românticos e dançantes daquele período, “Sixteen Tons” seguia outro caminho. A composição de Merle Travis falava da dura rotina ligada à mineração de carvão.

Tennessee Ernie Ford gravou sua versão em 20 de setembro de 1955. Curiosamente, a música inicialmente seria o lado B do compacto, mas começou a receber forte execução nas rádios e acabou alcançando o primeiro lugar.

Até os estalos de dedos ouvidos na gravação têm uma origem curiosa. Ford os usava para marcar o tempo durante os ensaios, e o produtor Lee Gillette decidiu mantê-los na versão final.

10. Unchained Melody — Al Hibbler

Décadas antes de “Unchained Melody” voltar às paradas em outras interpretações, a composição já fazia sucesso em 1955.

Uma das versões de maior destaque naquele ano foi a do cantor Al Hibbler, ex-vocalista da orquestra de Duke Ellington. A Biblioteca do Congresso registra “Unchained Melody” entre os grandes sucessos de sua carreira solo durante os anos 1950.

A composição teria inúmeras gravações ao longo do tempo, tornando-se um daqueles casos em que uma música passa a ser conhecida por públicos de diferentes gerações.

11. Cry Me a River — Julie London

Julie London encontrou seu maior sucesso musical justamente em 1955 com “Cry Me a River”.

A gravação seguia uma direção bastante diferente das produções mais agitadas do período. Sua interpretação intimista vinha acompanhada por um arranjo econômico, deixando a voz no centro da música.

Décadas depois, a importância da faixa foi reconhecida com sua inclusão no National Recording Registry da Biblioteca do Congresso, que lista a gravação de London como sendo de 1955.

12. Cherry Pink and Apple Blossom White — Pérez Prado

Nem todas as músicas capazes de dominar as paradas precisavam de um cantor. “Cherry Pink and Apple Blossom White”, na gravação do músico cubano Pérez Prado, tornou-se um dos grandes sucessos instrumentais do período.

O mambo havia conquistado grande popularidade nos Estados Unidos durante a primeira metade dos anos 1950, e Prado era uma de suas figuras mais conhecidas.

A faixa ajudou a ampliar ainda mais a presença de ritmos latino-americanos no mercado musical dos Estados Unidos, dividindo espaço nas rádios com pop, country, rhythm and blues e o rock que avançava rapidamente.

13. Love Is a Many-Splendored Thing — The Four Aces

O cinema também tinha grande influência sobre as paradas. “Love Is a Many-Splendored Thing”, tema do filme de mesmo nome lançado em 1955, tornou-se especialmente conhecida na interpretação do grupo The Four Aces.

A canção representava o lado mais tradicional da música pop da época, baseado em grandes melodias, harmonias vocais e arranjos orquestrais.

Sua popularidade ajuda a entender melhor aquele período de transição: o rock crescia entre os jovens, enquanto o pop romântico continuava atraindo uma parcela enorme dos ouvintes.

14. Autumn Leaves — Roger Williams

Outro grande êxito instrumental de 1955 veio do pianista Roger Williams com “Autumn Leaves”.

A composição já existia havia anos e tinha origem na canção francesa “Les Feuilles mortes”, mas a versão de Williams encontrou um público particularmente amplo nos Estados Unidos.

Com o piano conduzindo praticamente toda a gravação, a faixa demonstrou que uma música instrumental ainda podia disputar a atenção do público em um momento em que novos cantores, grupos vocais e bandas de rock apareciam continuamente.

Em retrospecto, 1955 chama atenção justamente pela variedade. No intervalo de poucos meses, o público ouviu o rock de Chuck Berry e Little Richard, as harmonias dos Platters, o piano de Fats Domino, a fusão de estilos de Ray Charles, a interpretação sombria de Tennessee Ernie Ford e grandes sucessos românticos e instrumentais.

Parte desse repertório recebeu posteriormente uma distinção rara: gravações como “Tutti Frutti”, “Sixteen Tons”, “Bo Diddley” e “Cry Me a River” passaram a integrar o National Recording Registry da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, destinado à preservação de registros considerados cultural, histórica ou esteticamente relevantes.

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Gabriel Pietro

Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.

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