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“Diário de uma paixão”: quando o amor resiste, persiste e vence

O amor verdadeiro persiste, resiste, chama de volta, clama pela sobrevivência, fortalecendo-se, vencendo a dor, a mágoa, a doença, as incertezas. O amor é o que fica, quando tudo o mais se foi.

“Diário de uma paixão” é um filme lançado em 2004, baseado no best-seller de Nicholas Spark, que retrata o amor entre Allie e Noah, dois jovens que se apaixonam e morrem juntos. Mais do que um romance açucarado, o enredo nos leva a refletir sobre a força do amor em nossas vidas, o amor verdadeiro, que persiste e resiste aos temporais e às escuridões à nossa voLta.

O tema é um velho conhecido: jovem pobre se apaixona por jovem rica, encontram a oposição dos adultos, separam-se e reencontram-se, porque o amor é ímã, é demora, procura mútua e despojamento sincero. Envolta por uma bela fotografia e por uma trilha sonora harmoniosa, a história de amor entre pessoas tão diferentes deixa-nos uma mensagem de esperança boa, de que existem, sim, amores duráveis.

Hoje, nada parece feito para persistir, tanto no que diz respeito aos bens materiais, quanto ao que se relaciona aos sentimentos. É mais fácil jogar fora um aparelho do que mandar consertá-lo. É bem mais fácil desistir do amor, diante das primeiras dificuldades, do que tentar superá-las. Tememos enfrentar os obstáculos que atravancam o encontro amoroso, porque muito provavelmente veremos que somos em grande parte causadores dos mesmos.

Para que consigamos superar os obstáculos que se interpõem entre nós e a consumação do amor completo, precisaremos nos despojar de vaidades, de egoísmo, enxergando nossa parcela de responsabilidade naquilo tudo – casal são dois, ou seja, estamos incluídos nessa jornada. Caso não estivermos dispostos a mudar em nós o que prejudica a entrega recíproca, continuaremos delegando ao parceiro a culpa integral do que nos aflige. E então daremos adeus a qualquer chance de sobrevivência amorosa.

Allie e Noah não se relacionavam com harmonia perfeita, muito pelo contrário; porém, conseguiam ter consciência das próprias falhas, dos defeitos do outro, de maneira a lutarem juntos na superação dos entraves. Amor que sobrevive depende disso, de que ambos se reconheçam imperfeitos e reconheçam no outro aquilo que desagrada, pois amor é clareza, certeza, é um voltar, sempre, apesar da distância, apesar dos outros, mas, principalmente, em favor de nós mesmos.

Assistir a tantos casais que já se amaram com intensidade distanciando-se por conta dos tombos que a vida insiste em nos dar é triste. Quando ainda resta dignidade, vale a pena investir na retomada daquele sentimento que uniu dois corações, mesmo que hoje estejam calejados e machucados. O amor verdadeiro, como retratado no filme, persiste, resiste, chama de volta, clama pela sobrevivência, fortalecendo-se, vencendo a dor, a mágoa, a doença, as incertezas. O amor é o que fica, quando tudo o mais se foi, pois é o que nos torna eternos por onde tenhamos respirado o ar da verdade.

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar". É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.

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