Despedidas são de lascar. Arrebentam com o nosso emocional e nos levam a nocaute rapidamente. A vantagem é que quando a dor passa nos levantamos mais fortes e começamos a entender que muitas despedidas são, na verdade, presentes.
Nenhuma despedida é fácil. Mesmo quando somos nós que decidimos partir, sempre fica aquele sentimento de “poderia ter tentado mais” ou “e se dessa vez fosse diferente?”. Ouso comparar as despedidas como um corte de cordão umbilical. Parece que a vida nos tira a força de um lugar seguro e confortável para nos apresentar algo diferente e novo e isso é assustador.
Há vários motivos de despedidas, mas nenhum deles é fácil. Despedir-se de uma relação abusiva é tão difícil quanto despedir-se de um ente querido e o motivo é simples: em ambas as situações o que dói não é ausência física, é a ausência emocional.
Dói saber que a relação não deu certo e que os projetos feitos a dois ficaram apenas no papel. Dói lembrar as ofensas, as agressões e as humilhações ditas por quem você julgava amar. Dói a mudança na rotina, nos hábitos, nos planos. Mas, é importante lembrar que, na mesma proporção que a dor vem, o amadurecimento emocional acompanha.
Contrariando Shakespeare que definia a despedida como “uma dor suave”, acredito que ninguém se despede feliz de um ciclo. Despedidas são situações constrangedoras e dolorosas que envolvem muito autocontrole e inteligência emocional.
Porém, como tudo na vida tem dois lados, é preciso entender que muitas histórias começam nas despedidas. Às vezes, é preciso dar aquele “adeus” dolorido, fechar a porta e caminhar sem olhar para trás para que o novo chegue e nos surpreenda.
Pode ser que a despedida de um antigo amor abra às portas para um novo. Ou que a amizade desfeita na falsidade encontre uma nova sincera ou, até, que um novo emprego apareça quando você tiver coragem de abandonar o antigo. O fato é que muitas possibilidades se escondem atrás de uma despedida.
Tenha coragem de viver uma nova história. Permita-se experimentar novas emoções. Acredite que despedidas são também presentes. Como dizia Millôr Fernandes: “do mundo nada se leva. Mas é formidável ter uma porção de coisas a que dizer adeus”.
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