A saga dos irmãos Menendez, condenados à prisão perpétua por tirar a vida dos pais, ganhou novos desdobramentos após uma entrevista reveladora concedida por Joan VanderMolen, tia de Erik e Lyle Menendez, à Vanity Fair. Aos 92 anos, Joan trouxe à tona episódios que lançam luz sobre uma complexa relação familiar e reforçam seu apoio à libertação dos sobrinhos.
Segundo Joan, os sobrinhos pretendiam convencer sua mãe, Kitty Menendez, a deixar o casamento com José Menendez, que controlava todos os aspectos da vida dela. “Eles disseram que queriam cuidar dela se ela o deixasse, mas Kitty não acreditou que conseguiria fazer isso”, relatou a tia. Ela revelou também que José impediu a esposa de seguir o sonho de atuar na Broadway, o que agravou o estado emocional de Kitty.
Joan ainda contou que sua filha, Diane, alertou Kitty sobre os abusos que Lyle teria sofrido pelo pai. “Ela [Kitty] sabia o que estava acontecendo e estava por trás de tudo o que José fazia com os filhos. Como pôde não fazer nada?”, questionou Joan. Um dos detalhes mais chocantes da entrevista foi o relato de que Erik só se alimentava com limão para mascarar o gosto do esp**ma do pai, uma prática que teria começado na infância e evidenciava a gravidade dos abusos que sofria.
Joan destacou que a maioria dos familiares defende a soltura de Erik e Lyle, com exceção de seu irmão Milton, que discorda. “Eles foram usados e abusados a vida toda e não mereciam isso. Acredito que já pagaram pelo que fizeram”, afirmou.
Os irmãos Menendez, hoje com 56 e 53 anos, foram condenados à prisão perpétua em 1996, após um segundo julgamento. No primeiro processo, o júri foi dividido devido às denúncias de abusos sexuais e tortura psicológica que sofreram nas mãos dos pais. Entretanto, na segunda tentativa, várias testemunhas-chave foram arquivos, o que culminou nos relatórios definitivos.
Joan expressou frustração com o sistema judicial: “Achamos que tivemos um julgamento honesto e que a verdade viria à tona. Mas isso não aconteceu.”
Em um novo capítulo desta longa batalha jurídica, George Gascón, promotor do Distrito de Los Angeles, anunciou no início do mês que uma nova audiência foi agendada para o próximo dia 29 de novembro. Segundo o promotor, surgiram evidências adicionais sobre os abusos relatados pelos irmãos, o que pode abrir espaço para uma revisão da pena.
“Precisamos avaliar se já não cumprimos sua dívida com a sociedade e se as novas provas puderam ter mudado o resultado do julgamento original”, declarou Gascón durante a coletiva de imprensa.
De acordo com Joan, Erik e Lyle estão esperançosos com a possibilidade de uma nova chance na justiça. “Todos nós temos esperança. Só de pensar em todos esses anos, eu poderia chorar”, desabafou. No entanto, ela admite que, mesmo em caso de soltura, os irmãos Menendez devem enfrentar desafios significativos ao se readaptar à liberdade após 34 anos de reclusão.
“É assustador pensar nisso. Eles não planejaram passar a vida na prisão”, refletiu Joan.
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