TERMINAL
O passarinho estava ali,
sob a mesa há pouco desocupada
por um casal desencontrado.
Ele ciscava o chão
e comia passados.
Fagulhas de pão, fragmentos de sonho,
restolhos de dor,
partículas pequeninas de esperança.
Seu interior é uma mistura minha
do não sabido e do inventado
no ardor e no alívio
do sereno sacrifício do amar.
E quando ele voa
para as bandas de outros tempos
também ele sangra em meu pensamento.
E nem se sabe flagrado e findo
nas telas tênues do vento.
Nara Rúbia Ribeiro
28-01-2014
Escritora, advogada e professora universitária.
Administradora da página oficial do escritor moçambicano Mia Couto.
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