Silenciar, não dizer o que pensa, fere tanto quanto usar palavras ofensivas.

Título original: Bem-dizer, Mal-dizer

Desejo falar do silêncio corrosivo, daquele que machuca, que deixa o outro no vácuo. Silêncio utilizado por pessoas “passivo-agressivas”; por meio da negativa, da recusa em expor o que pensam ou sentem têm como intuito não corresponder à solicitação do outro que necessita de esclarecimento. Podemos inferir um caráter retentivo e agressivo, motivado por uma diversidade de sentimentos.

Francoise Dolto, pediatra e psicanalista francesa, chegou a definir violência como: “não se diz ou não se diz mais”.

O silêncio, quando resposta à solicitação do outro, sustenta uma negativa e fica para quem pergunta a certeza da não-aceitação, do não querer o diálogo e o envolvimento de forma alguma. Quantas são as ocasiões, numa relação afetiva, em que um dos parceiros nega-se a dialogar e discutir a relação, ou simplesmente escuta o que o outro lhe diz e NADA responde?

Isso mata qualquer vínculo amoroso, machuca profundamente qualquer ser humano, principalmente, se a outra pessoa está, a seu modo, tentando resolver as diferenças de pensamento.

Silenciar, não dizer o que pensa, fere tanto quanto usar palavras ofensivas.

Mesmo acreditando em que quem pergunta pode não estar preparado para escutar o que deve ser dito, isso não é motivo para deixar a pessoa no vácuo. Dar uma resposta, dialogar, confirmar ou não a fala do outro é respeito, é consideração.

Há também aquele silêncio que faz um estrago enorme na alma de quem o pratica: o silêncio autoinfligido; a pessoa cala emoções, provocando impedimentos à expressão do que sente por medo e insegurança.

É como água parada, não tem como produzir vida. Mágoas, rancores, doenças físicas e psíquicas são desenvolvi- das como consequência.

Dr. Freud já alertava no século passado: “falar cura”.

O mesmo “mal dito” pode ocorrer frente a um fato ou acontecimento socialmente injusto. Falar, mostrar, confrontar-se não é delação. É não compactuar com o errado, com a injustiça ou qualquer outro mal que prejudica o viver em coletividade.

Não há porque não acreditar, não há porque desistir de dialogar frente às diferenças de opiniões; basta saber falar e não vomitar com ira o que estava represado por muito tempo.

Isso é saudável e uma ótima oportunidade para aprimorar nossas comunicações, equilibrar as emoções e sermos mais humanos perante o outro e o mundo.

Imagem de capa: StockMySelf/shutterstock

Eliete Cascaldi

Psicóloga , escritora e avó apaixonada pelo seu neto e pela vida. Autora do livro "Varal de sonhos" e feliz demais com os novos horizontes literários que se abrem.

Recent Posts

Pouco antes de morrer de câncer, ele ainda mantinha um hábito que já preocupava amigos havia anos

Patrick Swayze ficou marcado no cinema pela condição física exibida em filmes como Dirty Dancing,…

6 dias ago

DESAFIO: Você pode olhar várias vezes para esta imagem e ainda deixar alguns dos 7 gatos passarem

A ilustração parece mostrar apenas um jardim cheio de detalhes: uma árvore carregada de folhas,…

6 dias ago

Uma desconhecida apareceu no cemitério com um envelope e mudou o que ela sabia sobre a filha

Durante dez anos, Elizabeth criou o neto sem saber explicar uma das perguntas que ele…

6 dias ago

Desafio visual: O guarda-chuva não está onde você provavelmente procuraria nesta livraria cheia de detalhes

A ilustração de uma antiga livraria parece comum nos primeiros segundos. Livros ocupam quase todos…

6 dias ago

Mary Ann Bevan aceitou ser exibida em público, e o motivo tinha relação direta com seus quatro filhos

Durante boa parte do fim do século XIX e do início do século XX, pessoas…

1 semana ago

Algumas das fotos mais interessantes de Diana não são as mais famosas e contam outra parte da história

Poucas figuras públicas foram fotografadas com tanta frequência quanto a princesa Diana, né? Durante os…

1 semana ago