Estreou silenciosamente no catálogo da Netflix em 15 de maio, mas bastaram alguns dias para Franklin se tornar um dos assuntos mais comentados entre os assinantes. A série libanesa dirigida por Hussein Al Menibawi é um suspense criminal com apenas seis episódios, que se destaca pelo ritmo ágil, personagens bem construídos e uma trama emocionalmente carregada.
No centro da história está um falsificador talentoso e pai solteiro (Mohamad Al Ahmad), que se vê diante de uma escolha impossível quando descobre que sua filha está gravemente doente. Sem recursos para arcar com o tratamento, ele reencontra uma antiga amante (interpretada pela magnética Daniella Rahme) e, juntos, embarcam em um plano ousado: produzir a nota de 100 dólares falsificada perfeita. O que começa como um golpe pela sobrevivência rapidamente se transforma em uma espiral de tensão, segredos e traições.
Com uma estética sombria e uma fotografia que valoriza o contraste entre o luxo e a decadência de Beirute, Franklin entrega muito mais do que um drama policial. É também um retrato das desigualdades, da fragilidade das instituições e das escolhas extremas que nascem do desespero.
O roteiro de Cherine Khoury acerta ao não transformar seus protagonistas em heróis ou vilões: são pessoas quebradas, ambíguas, que fazem o que podem com o pouco que têm. A química entre o casal principal é outro ponto alto — tensa, melancólica, por vezes explosiva.
Com apenas seis episódios de cerca de 45 minutos cada, a série é ideal para uma maratona rápida, mas deixa uma impressão duradoura. A ascensão de Franklin nas paradas da Netflix comprova que o boca a boca ainda é uma força poderosa — principalmente quando a trama envolve golpes, dilemas morais e emoções à flor da pele.
Um acerto certeiro da Netflix no mercado árabe, Franklin mostra que boas histórias não precisam de grandes orçamentos, mas de urgência, humanidade e coragem narrativa.
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