Josie Conti

Preste atenção às suas ações, pois a vida é um castelo de cartas

Embora eu tenha tido experiências em cidades e países diferentes ao longo da vida, minha criação primária aconteceu em uma cidade pequena. Não faltaram para mim o alimento, tive acesso a escola e ia a missa como iam as pessoas do meu meio. É claro que existiam dificuldades, mas elas aconteciam dentro de um ambiente razoavelmente protegido socialmente por amigos e família. Essa criação deixa suas marcas e ainda afeta minha percepção de realidade em diversos momentos (para o bem e para o mal). Entretanto, sempre que um olhar moralista ou a “culpa católica” ameaça deturpar minha compreensão de mundo, eu paro e reavalio minha posição. Quem está opinando sou eu ou o que sobrou de um olhar mais provinciano e pouco realista? Se, por exemplo, eu não gosto de cantoras sertanejas sem roupa no palco, isso não as torna erradas e eu certa, se não me agradam algumas posturas mais agressivas nas mais diversas áreas, isso não me torna a dona da verdade em absolutamente nada (pelo menos não necessariamente). Se hoje o mundo tem outras posturas e ouvimos funk, temos Pabllo Vittar representante da melhor música do ano isso não me obriga a gostar de nada, mas também não exime a minha responsabilidade de ponderar minhas reações e pensamentos para que eu não reproduza conceitos que hoje, em 2018, podem ter se tornada ultrapassados.

Radicalidades não me interessam simplesmente porque as pessoas têm o direito de escolha de gosto pessoal independente do que eu gosto. Essas mesmas pessoas têm seus gostos porque tiveram outras criações, outras vidas e outras realidades (Talvez até bem mais interessantes do que as minhas. Quem sabe?). Por que será que é tão ofensivo para tantos lidar com a diferença? Afinal, por que tanto sentimento de ameaça da “moral e dos bons costumes” perante o novo? Não seria um moralismo ultrapassado e fora do tempo falando mais alto? Seria medo de ver seus castelos de cartas desmoronar? Como disseram hoje meus amigos durante um cafezinho: “Você pode ser solidário a uma causa, mas isso não te permite sentir o que o outro sente na pele. Você não sabe o que é racismo se não for negro, mesmo que tenha empatia.” Penso que está na hora de baixarmos nossos narizes empinados e entendermos que as pessoas merecem respeito em suas escolhas, gostos e lutas. E se você não gosta disso, isso é algo que você deveria pensar lidar, pois muitas cartas do castelo já estão a voar.

Imagem de capa:  Haywiremedia/shutterstock

Josie Conti

JOSIE CONTI é psicóloga com enfoque em psicoterapia online, idealizadora, administradora e responsável editorial do site CONTI outra e de suas redes sociais. Sua empresa ainda faz a gestão do site Psicologias do Brasil. Contato para Atendimento Psicoterápico Online e EMDR com Josie Conti pelo WhatsApp: (55) 19 9 9950 6332

Recent Posts

Erin Brockovich virou um clássico, mas alguns detalhes da história real quase não aparecem no filme

Quando Erin Brockovich chegou aos cinemas, em 2000, boa parte do público conheceu a ativista…

4 dias ago

Ela foi chamada de “boneca de verdade” aos 2 anos; é incrível vê-la agora, aos 18

Aira Marie Brown ainda era uma criança pequena quando suas fotografias começaram a circular pela…

4 dias ago

A pergunta de David Letterman que deixou Jennifer Aniston extremamente constrangida

Em maio de 2006, Jennifer Aniston estava em plena divulgação de The Break-Up, comédia romântica…

4 dias ago

Como um trágico acidente aéreo moldou uma estrela da comédia

Stephen Colbert se tornou um dos rostos mais conhecidos da televisão americana graças ao humor…

4 dias ago

Esta foto de 6 garotas com apenas 5 pares de pernas está deixando todo mundo intrigado

À primeira vista, a fotografia parece bastante comum: seis jovens estão sentadas lado a lado…

5 dias ago

A menina sorridente desta foto se tornou uma das mulheres mais diabólicas da história

Nascida em 1953 no condado de Devon, na Inglaterra, Rosemary Letts parecia uma criança comum…

5 dias ago