Nem todo mundo reconhece a paz quando ela chega. Para algumas pessoas, uma relação tranquila pode parecer fria, distante ou até ameaçadora. Quando não há briga, cobrança, drama, ciúme ou intensidade constante, surge uma pergunta incômoda: “Será que a pessoa ainda se importa comigo?”
Essa confusão é mais comum do que parece. Há quem tenha aprendido, ao longo da vida, que amor vem acompanhado de tensão. Em certos históricos familiares e afetivos, a presença do outro só era percebida quando havia barulho emocional: discussões, pedidos de desculpa, reconciliações, crises, sumiços e retornos. Assim, a estabilidade pode ser interpretada não como segurança, mas como desinteresse.
A psicóloga Josie Conti explica que “quando a instabilidade foi muito presente na história afetiva de alguém, a tranquilidade pode parecer estranha, quase como se faltasse alguma prova de amor”. Isso não significa que a pessoa goste de sofrer. Significa que o psiquismo tende a reconhecer como familiar aquilo que já conhece, mesmo quando aquilo machuca.
Do ponto de vista psicodinâmico, os primeiros vínculos ajudam a formar expectativas sobre o amor. Se uma pessoa cresceu em um ambiente no qual precisava disputar atenção, adivinhar humores ou se esforçar para não ser deixada de lado, pode levar esse padrão para a vida adulta. Ela passa a procurar sinais o tempo todo. Um silêncio vira ameaça. Uma resposta curta vira rejeição. Um momento de autonomia do parceiro vira abandono.
Em relações mais saudáveis, esse funcionamento pode causar sofrimento dos dois lados. A pessoa que teme o abandono pode cobrar provas constantes de afeto. Já o outro pode se sentir injustamente pressionado, como se nunca conseguisse demonstrar cuidado o suficiente. Aos poucos, a relação que poderia ser segura começa a ser atravessada por testes, interpretações e ansiedade.
Um dos pontos mais delicados é que algumas pessoas confundem intensidade com profundidade. Relações muito instáveis podem provocar uma sensação forte de apego justamente porque alternam medo e alívio. Quando o outro se afasta, vem a angústia. Quando volta, vem a euforia. Esse ciclo pode ser confundido com paixão, conexão ou destino, quando na verdade muitas vezes indica insegurança vincular.
Josie Conti observa que “nem toda relação que mexe muito com uma pessoa é necessariamente uma relação profunda; às vezes, ela apenas toca em feridas antigas”. Essa frase ajuda a diferenciar amor de repetição. Há vínculos que parecem irresistíveis não porque fazem bem, mas porque reencenam uma dor conhecida.
A paz, nesse contexto, pode ser difícil de sustentar. Se não há ameaça, a pessoa pode criar uma. Se não há conflito, pode procurar indícios de que algo está errado. Se o outro está presente de forma serena, pode parecer pouco. Isso acontece porque, para quem se acostumou com vínculos imprevisíveis, a calma pode gerar abstinência emocional. O corpo espera o susto. A mente procura a falha. O afeto tranquilo parece sem brilho.
Mas relações seguras nem sempre são espetaculares. Muitas vezes, elas se expressam em continuidade, respeito, presença possível, liberdade e cuidado sem encenação. O amor maduro não precisa provar existência por meio de sofrimento constante. Ele pode aparecer na regularidade, na escuta, na possibilidade de discordar sem destruir, na chance de ficar em silêncio sem que isso vire ameaça.
Isso não quer dizer que toda ausência de conflito seja saudável. Há silêncios que escondem indiferença, distanciamento e falta de intimidade. A questão é outra: algumas pessoas não conseguem distinguir silêncio respeitoso de abandono, autonomia de rejeição, estabilidade de frieza. Essa confusão merece ser escutada com delicadeza, não ridicularizada.
A psicoterapia pode ajudar a pessoa a reconhecer de onde vem essa expectativa de perda. Em vez de reagir automaticamente ao medo, ela pode começar a perguntar: “O que exatamente foi ativado em mim?” “Isso pertence ao presente ou parece repetir algo antigo?” “Estou diante de um abandono real ou de uma sensação conhecida que voltou?”
Para Josie Conti, “uma parte importante do amadurecimento afetivo é aprender que o amor não precisa se comportar como ameaça para parecer verdadeiro”. Essa aprendizagem pode ser lenta, porque envolve mexer em modos antigos de proteção. Mas ela permite que a pessoa experimente vínculos menos exaustivos.
A paz pode assustar quem aprendeu a viver em alerta. Ainda assim, ela não precisa ser confundida com vazio. Às vezes, o que parece falta de intensidade é justamente a possibilidade de uma relação deixar de ser campo de batalha e começar a ser lugar de presença.
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