Quando determinada lembrança provoca sofrimento, tentar não pensar nela parece uma solução bastante lógica.
Mudamos de assunto. Evitamos lugares. Guardamos fotografias. Não falamos sobre aquilo.
Durante algum tempo, essa estratégia pode funcionar.
O problema começa quando a necessidade de evitar a lembrança passa a determinar partes importantes da vida.
Se pensar em algo provoca ansiedade, parar de pensar naquela situação reduz momentaneamente o desconforto.
O cérebro aprende rapidamente essa associação:
lembrança dolorosa → desconforto → evitação → alívio.
Como o alívio aparece, a tendência é repetir o comportamento.
Com o passar do tempo, porém, aquilo que começou como proteção pode tornar-se limitação.
Imagine alguém que sofreu um acidente de carro e começa evitando apenas a estrada onde ele aconteceu.
Depois, evita dirigir.
Posteriormente, evita até mesmo viajar como passageiro.
Esse exemplo mostra como o comportamento de evitação pode se expandir.
Algo semelhante pode acontecer com experiências emocionais.
Uma pessoa que sofreu uma grande rejeição pode começar a evitar novos relacionamentos para não correr o risco de sentir aquela dor novamente.
Uma lembrança pode permanecer emocionalmente ativa mesmo que a pessoa raramente pense conscientemente nela.
Situações semelhantes podem continuar despertando reações automáticas.
É uma das razões pelas quais alguns pacientes procuram terapia muitos anos depois de uma experiência.
A psicóloga Josie Conti, especialista em EMDR, trabalha com pacientes que desejam compreender e processar justamente experiências que permaneceram durante anos em uma espécie de território emocional proibido.
Existe também um equívoco no sentido oposto.
Trabalhar uma experiência traumática não significa obrigar uma pessoa a reviver detalhadamente tudo o que aconteceu sem preparação.
O trabalho terapêutico precisa respeitar os limites, o ritmo e os recursos emocionais de cada paciente.
Em abordagens como o EMDR, existem protocolos específicos para essa finalidade.
Algumas pessoas constroem uma vida inteira ao redor de coisas que não podem lembrar, lugares onde não podem ir ou assuntos sobre os quais não conseguem falar.
Quando isso acontece, procurar acompanhamento psicológico pode abrir novas possibilidades.
Não para apagar aquilo que ocorreu.
Mas para impedir que a tentativa de fugir do passado continue restringindo o presente.
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