Prepare os lenços — muitos. O drama “Fé para o Impossível”, recém-chegado à Netflix, é daqueles filmes que pegam você pelo estômago e só soltam quando já for tarde demais para conter o choro. Baseado na história real da pastora americana Renee Murdoch, brutalmente atacada enquanto corria pela orla da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, o longa retrata a dor, a fé e a impressionante capacidade de resiliência de uma mulher entre a vida e a morte.
Quem dá vida à protagonista é Vanessa Giácomo, em uma das performances mais intensas de sua carreira. Com sensibilidade e entrega, a atriz conduz o espectador pela via-crúcis de Renee: da tragédia ao milagre. Ao lado dela, Dan Stulbach, no papel do marido Philip Murdoch, sustenta com firmeza o drama familiar e espiritual que se desdobra após o ataque. É ele quem convoca uma corrente de oração que acaba cruzando fronteiras — e tocando até quem não costuma acreditar.
A direção de Ernani Nunes evita sensacionalismos e aposta na emoção crua, nos silêncios e nas pequenas vitórias. Não há pressa em mostrar a recuperação de Renee: o filme nos obriga a sentir o tempo passando, a angústia dos que esperam e a fé dos que não se permitem desistir. A narrativa emociona justamente porque não parece um roteiro — parece uma oração em forma de cinema.
“Fé para o Impossível” acerta também na fotografia, que contrasta o calor do Rio de Janeiro com a frieza dos corredores hospitalares, e na trilha sonora, que reforça a espiritualidade sem cair no exagero. Há momentos em que a fé parece uma personagem à parte — silenciosa, mas sempre presente.
Apesar de algumas cenas mais previsíveis (um pecado comum em cinebiografias edificantes), o filme ganha pontos por não transformar seus protagonistas em mártires perfeitos. Há dor, raiva, medo, questionamento. E isso só torna a história mais humana.
Se você procura um filme leve, divertido ou para assistir enquanto mexe no celular, passe longe. Mas se está pronto para uma experiência emocional potente, capaz de restaurar alguma fé na humanidade — mesmo que por algumas horas —, dê o play. Só não diga que eu não avisei: é impossível sair ileso.
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