JORNALISMO

Cientistas criam “pele” de hidrogel que cura feridas em apenas 4 horas

Um novo material desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Aalto, na Finlândia, pode mudar o futuro da medicina regenerativa. Trata-se de um hidrogel curativo com uma impressionante capacidade de auto-reparo — ele consegue se regenerar sozinho em até 4 horas. A descoberta, publicada na prestigiada revista Nature Materials, surpreendeu até mesmo a equipe de cientistas responsável pela criação.

Segundo Hang Zhang, um dos pesquisadores do projeto, a inovação supera um desafio antigo: unir força, flexibilidade e regeneração em um único material. “Hidrogéis rígidos, fortes e auto-regenerativos têm sido um desafio há muito tempo. Descobrimos um mecanismo para fortalecer os hidrogéis convencionalmente macios. Isso pode revolucionar o desenvolvimento de novos materiais com propriedades bioinspiradas”, afirmou Zhang.

Resistência comparável à pele humana

O novo hidrogel é composto por cerca de 10.000 camadas de nanofolhas por milímetro — o que o torna tão resistente quanto a própria pele humana. O segredo está na inclusão de nanofolhas de argila em sua estrutura, o que garante rigidez sem perder a capacidade de se dobrar e se regenerar.

Novo hidrogel criado por cientistas de universidades da Finlândia e Japão consegue se reestruturar 100% após 24 horas — Foto: Nature Materials/Margot Lepetit/Universidade Aalto

Durante os testes, os cientistas cortaram o material ao meio e observaram uma recuperação de até 90% em apenas quatro horas, sem qualquer intervenção externa. “Quando os polímeros estão completamente emaranhados, eles são indistinguíveis uns dos outros. Eles são muito dinâmicos e móveis no nível molecular, e quando você os corta, eles se entrelaçam novamente”, explicou Chen Liang, também da Universidade de Aalto.

Fácil de produzir

O processo de criação do hidrogel é surpreendentemente simples. Os pesquisadores misturam um pó de monômeros com água contendo as nanofolhas de argila e expõem a mistura à luz ultravioleta. O resultado é um gel resistente, flexível e com alto poder de regeneração.

Muito além da cicatrização

Apesar do foco inicial ser o uso em feridas cutâneas, o material tem potencial para aplicações muito mais amplas. Entre as possibilidades estão o uso em sensores robóticos, dispositivos de liberação controlada de medicamentos e até mesmo pele artificial para próteses e equipamentos biomédicos.

Ainda em fase de estudos, a nova tecnologia deve levar algum tempo até estar disponível comercialmente. Mas o avanço já é promissor e coloca a ciência um passo mais perto de criar materiais realmente inspirados na natureza — e capazes de superá-la.

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