Marcel Camargo

Nem todos os dias são bons, mas há algo bom em cada dia

Dias corridos, violência crescente, desesperança, grana curta e perspectivas diminuídas. Gente falando mal do outro, passando a perna, puxando o tapete, traindo, mentindo fazendo sofrer. Perdas, quedas, tombos e decepções. Tudo isso faz parte da vida de cada um de nós, às vezes com mais, outras vezes com menos intensidade. E tudo, hoje, ainda piora, haja vista a supervalorização das aparências, em detrimento dos sentimentos nobres de nossa essência.

Queremos dar certo, queremos sorrir, a gente quer é ser feliz. Entretanto, aquilo que se dissemina como felicidade é quase que inalcançável à esmagadora maioria das pessoas. Poucos alcançam os padrões de beleza impostos pela mídia. Poucos conseguem consumir tudo o que parece um dever. Poucos possuem o emprego dos sonhos, um parceiro perfeito, uma família de comercial de margarina. E então a gente se engana, achando que felicidade tem a ver com aquilo que é superficial e vendido nas grandes magazines.

E, caso nos pautemos nos padrões midiáticos de felicidade, jamais conseguiremos perceber o quanto já somos felizes e abençoados, simplesmente por existirmos, por podermos ir e vir, com saúde e força para correr atrás do que é nosso. Não existe felicidade plena e perene, ou seja, há momentos felizes que devemos guardar no coração, para que essas lembranças nos consolem quando dos tombos que a vida dá. Ninguém é perfeito, mas quem nos ama de verdade sempre ficará junto, com tudo de bom e ruim que ele tem, que a gente tem.

Temos que parar de correr atrás da vida que está lá longe e desfrutar do tanto que já faz parte de nosso caminhar. Todo mundo tem muita coisa boa e muita gente do bem ao seu lado. Conseguir valorizar o que se é, o que se tem, o que já faz parte de si, será essencial, para que não nos demoremos nas lamentações pelo que falta, pelo que se foi porque nunca ficou de verdade. É preciso ter esperança, esperançar, manter a fé de que ainda há muitos sorrisos nos esperando. A dor passa, a tristeza passa, mas o amor real se eterniza.

Portanto, nunca duvide da força do amanhã, do nascer do sol, de tudo o que renasce junto com a aurora. Nunca duvide da força que existe dentro de você, da capacidade que você tem de se reinventar, de se refazer, de voltar a sorrir com a esperança que move cada sonho, cada meta, cada respirar de novo. Vivamos!

Imagem de capa: Man On The Go/shutterstock

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar". É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.

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