curiosidades

Minha vizinha me deu uma sacola dessas frutas estranhas e eu finalmente descobri o que eram

Receber frutas do quintal de alguém costuma vir acompanhado de uma pequena vantagem e um problema bastante específico: você ganha comida fresca, mas às vezes não faz a menor ideia do que acabou de levar para casa. Quando o alimento tem casca preta, formato irregular e duas pontas curvas que lembram chifres, a identificação fica ainda menos óbvia.

As frutas da foto têm características compatíveis com a castanha-d’água do gênero Trapa, especialmente variedades de Trapa natans que apresentam frutos com duas pontas. Em países asiáticos, esse alimento também é conhecido por nomes como water caltrop, horn nut, bat nut e singhara.

Apesar da aparência pouco familiar para os brasileiros, a planta é utilizada como alimento há séculos em regiões da Ásia.

Leia também: Terapia por IA: quando a verdadeira terapia online acontece com um psicólogo em tempo real

Como reconhecer essa castanha-d’água?

O fruto chama atenção principalmente pela casca.

Quando maduro, apresenta uma estrutura externa muito dura, escura e com pontas salientes. Algumas variedades possuem dois “chifres”, enquanto outras podem apresentar quatro.

Essas características ajudam a diferenciá-lo da castanha-d’água mais conhecida comercialmente, a Eleocharis dulcis, que é outro vegetal e costuma ser vendido descascado ou em conserva.

No caso das espécies do gênero Trapa, o que se aproveita é a semente branca e rica em amido localizada dentro da estrutura rígida. A planta cresce em ambientes de água doce e forma frutos capazes de permanecer presos à vegetação ou se dispersar pela água.

Dá para comer?

Sim, mas aqui existe um cuidado importante: o mais seguro é consumir a semente depois do cozimento.

Embora existam registros de consumo cru em algumas regiões, fontes especializadas recomendam o cozimento, inclusive porque sementes cruas podem conter substâncias indesejáveis e plantas aquáticas também podem carregar microrganismos ou parasitas provenientes da água onde cresceram.

Por esse motivo, se você recebeu uma sacola dessas frutas sem saber exatamente de onde vieram, não vale abrir uma delas e experimentar por curiosidade.

Como preparar

Primeiro, lave bem os frutos para retirar resíduos presentes na superfície.

Depois, coloque-os em uma panela com água e cozinhe até que a parte interna fique macia. O tempo pode variar conforme o tamanho e o grau de maturação.

Após o cozimento, deixe esfriar o suficiente para manusear.

A casca externa continua bastante rígida e precisa ser aberta com cuidado. Uma faca resistente ou um utensílio próprio para quebrar castanhas pode ajudar, sempre evitando pressionar as pontas diretamente com as mãos.

Dentro estará a parte comestível: uma semente clara, firme e rica em amido.

Sua textura costuma ser comparada à de castanhas e tubérculos cozidos. Em vários países asiáticos, ela é consumida cozida, assada ou incorporada a outras preparações.

O sabor pode surpreender

Quem espera encontrar uma polpa doce semelhante à de manga, pêssego ou ameixa provavelmente vai estranhar.

A castanha-d’água do gênero Trapa tem sabor mais discreto e textura farinácea. Dependendo do preparo, pode lembrar uma combinação entre castanha, batata e outros alimentos ricos em amido.

É justamente essa característica que permite utilizá-la tanto em receitas doces quanto salgadas.

Outras maneiras de consumir

Depois de cozida e retirada da casca, a semente pode ser comida ainda morna, sem muitos acompanhamentos.

Também pode entrar em sopas, ensopados e refogados ou ser assada para ganhar uma textura um pouco mais firme.

Em regiões da Índia, frutos de Trapa são secos e moídos para produzir uma farinha conhecida como singhara atta, utilizada em diferentes preparações culinárias. O cultivo e o consumo da planta naquela região são bastante antigos.

E os nutrientes?

A parte comestível é composta principalmente por carboidratos e amido, além de fornecer pequenas quantidades de proteínas, minerais e outros compostos presentes naturalmente no vegetal.

Por isso, faz mais sentido tratá-la nutricionalmente como uma castanha ou alimento amiláceo do que compará-la a frutas suculentas, como laranja ou melancia.

Também existem estudos investigando compostos fenólicos e outras substâncias presentes em espécies de Trapa, mas isso não transforma o alimento em tratamento ou solução para doenças. A utilidade mais concreta continua sendo aquela que a humanidade costuma entender muito bem: comida.

Um cuidado extra com frutos colhidos na água

A origem faz diferença.

Como Trapa é uma planta aquática, frutos obtidos diretamente de lagos, açudes ou outros ambientes naturais podem ter contato com água contaminada.

Há registros científicos de plantas aquáticas servindo de superfície para estágios de parasitas transmitidos por alimentos em determinadas regiões da Ásia. Esse é mais um motivo para lavar e cozinhar adequadamente o fruto antes do consumo, sobretudo quando não se conhece a procedência.

Não confunda com outras “castanhas-d’água”

O nome popular causa uma confusão considerável.

A chamada castanha-d’água chinesa encontrada com frequência em pratos asiáticos costuma ser a Eleocharis dulcis. Ela produz estruturas arredondadas e não apresenta os grandes “chifres” da fruta mostrada na foto.

Já Trapa natans e variedades próximas produzem justamente os frutos rígidos e pontiagudos que deram origem a nomes como horn nut e bat nut.

Portanto, se aparecer em sua casa uma sacola com essas estruturas pretas e curiosamente pontudas, a melhor identificação provável é algum representante do gênero Trapa. Antes de consumir, porém, vale confirmar a origem do fruto, lavá-lo cuidadosamente e optar pelo cozimento da semente, descartando completamente a casca externa.

Leia também: Ela foi símbolo de uma era da televisão e, seis décadas depois, ainda é reconhecida nas ruas

Leia também: Pareciam ovos de algum animal, mas as bolinhas brancas perto da cama escondiam outra explicação

Compartilhe o post com seus amigos! 😉

Gabriel Pietro

Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.

Recent Posts

O primeiro animal que você enxergar aqui revela se você usa mais o lado direito ou esquerdo do cérebro

Algumas imagens parecem simples até o cérebro resolver complicar tudo, como costuma fazer quando encontra…

5 horas ago

Menino de 5 anos sobrevive a ataque brutal de dois cães e é chamado de “monstro” em público

Ryder Wells tinha menos de dois anos quando sofreu ferimentos que exigiriam dezenas de cirurgias…

7 horas ago

Esta ex-estrela mirim se tornou dependente, mas conheceu seu futuro marido na igreja, e agora eles estão juntos já 41 anos

Durante os anos 1970, Maureen McCormick era um dos rostos mais conhecidos da televisão americana.…

8 horas ago

“Bicho nojento”: Os donos foram escovar o cachorro após o passeio e encontraram algo que não esperavam

Escovar o cachorro depois de uma caminhada costuma ser uma tarefa simples, especialmente para animais…

8 horas ago

Ela quase não conseguiu bancar os estudos, mas alguém famoso decidiu ajudá-la sem sequer conhecê-la

Antes de se tornar presença frequente em grandes produções de Hollywood, Jessica Chastain cresceu em…

9 horas ago

Ele foi um dos rostos mais famosos dos anos 70, mas seus últimos anos foram muito diferentes

No começo dos anos 1970, Brian Connolly dificilmente passaria despercebido. Com os cabelos loiros, roupas…

11 horas ago