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Menino de 5 anos sobrevive a ataque brutal de dois cães e é chamado de “monstro” em público

Ryder Wells tinha menos de dois anos quando sofreu ferimentos que exigiriam dezenas de cirurgias e anos de acompanhamento médico. Cinco anos depois de nascer, o menino da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, já havia enfrentado cerca de 50 procedimentos reconstrutivos. Fora dos hospitais, porém, surgiu outro problema: as reações cruéis de algumas pessoas diante das marcas deixadas pelo ataque.

O caso aconteceu em novembro de 2015, um dia depois do feriado de Ação de Graças. Ryder tinha 21 meses quando foi atacado por dois cães da raça rottweiler. A campanha criada posteriormente pela família no GoFundMe confirma que os ferimentos foram extensos e que o tratamento continuaria por vários anos.

Na época em que o caso ganhou nova repercussão na imprensa, em julho de 2020, Ryder estava com cinco anos. Foi nesse período que sua mãe, Brittany, contou como o filho vinha lidando tanto com as consequências físicas do ataque quanto com a reação de desconhecidos.

Ataque deixou ferimentos graves

Os dois rottweilers pesavam cerca de 45 quilos cada. Ryder sofreu lesões graves no rosto, perdeu parte da bochecha, o lábio inferior da pálpebra e grande parte dos lábios. Seus dentes também foram atingidos. Além disso, ele teve o braço quebrado e o pulmão direito perfurado.

A arrecadação organizada pela mãe detalha ainda fraturas na mandíbula, perda de tecido, músculos e nervos do lado esquerdo do rosto e a necessidade de reconstrução dentária. Segundo a família, Ryder passou por mais de 50 procedimentos, acumulando mais de 70 horas em salas de cirurgia.

A gravidade das lesões fez com que os médicos inicialmente alertassem a família sobre a possibilidade de o menino não sobreviver. Ryder, no entanto, conseguiu se recuperar da fase mais crítica e iniciou um longo processo de reconstrução facial.

Algumas das intervenções não tiveram o resultado esperado. A família relatou que dois enxertos falharam e que o tratamento passou a ser acompanhado por especialistas da Duke University. Outros procedimentos reconstrutivos estavam previstos conforme Ryder crescesse.

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Comentários de desconhecidos passaram a preocupar a mãe

Quando Ryder chegou à idade escolar, Brittany percebeu que as cicatrizes e alterações em seu rosto atraíam olhares e comentários. Segundo ela, isso ocorria tanto entre crianças quanto entre adultos.

Em entrevista repercutida pelo 7NEWS em 2020, Brittany contou que uma criança no parque chegou a apontar para Ryder e chamá-lo de “monstro” antes de sair correndo. Em outra ocasião, durante uma ida às compras, uma pessoa reagiu com uma expressão de repulsa ao vê-lo.

Para a mãe, essas situações eram especialmente difíceis porque Ryder já começava a perceber quando as pessoas falavam sobre sua aparência. Em alguns momentos, ele usava boné e óculos e abaixava a cabeça numa tentativa de esconder parte do rosto.

Brittany passou então a reforçar diariamente a autoestima do filho e a conversar com ele sobre suas diferenças físicas. Ao mesmo tempo, demonstrava preocupação com a chegada à escola e com a possibilidade de o menino se tornar alvo de provocações com maior frequência.

Apesar das limitações causadas pelo ataque, Ryder conseguiu desenvolver atividades que inicialmente preocupavam os médicos. O menino voltou a comer e beber sozinho e, de acordo com relatos da família publicados na época, adaptou-se à rotina mesmo tendo perdido vários dentes.

Ao divulgar o caso em 2020, Brittany disse que pretendia chamar atenção para a maneira como crianças com diferenças faciais são tratadas em espaços públicos e na escola. Para ela, explicar às crianças por que algumas pessoas têm uma aparência diferente poderia evitar que curiosidade se transformasse em insultos ou constrangimento.

A campanha criada para ajudar no tratamento de Ryder permaneceu registrando a extensão das lesões e os procedimentos necessários ao longo de seu crescimento. A própria família destacou que a reconstrução não teria uma solução rápida, com intervenções ósseas, musculares e odontológicas previstas para diferentes fases do desenvolvimento do menino.

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Gabriel Pietro

Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.

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