No começo dos anos 1970, Brian Connolly dificilmente passaria despercebido. Com os cabelos loiros, roupas extravagantes e uma voz imediatamente reconhecível, ele ocupava o centro do palco do Sweet, grupo britânico que se tornou um dos principais nomes do glam rock.
Canções como Block Buster!, Ballroom Blitz, Fox on the Run e Action transformaram a banda em fenômeno comercial. O Sweet vendeu dezenas de milhões de discos e teve uma sequência de sucessos nas paradas, enquanto Connolly se consolidava como um dos rostos mais conhecidos da música pop britânica daquele período.
Anos depois, porém, a situação do cantor seria muito diferente. Problemas cardíacos graves, alcoolismo, dificuldades financeiras e limitações físicas acompanharam seus últimos anos. Algumas versões posteriores de sua biografia passaram a resumir esse período dizendo que ele sofreu 13 ataques cardíacos em apenas 24 horas e terminou a vida sem dinheiro…
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Brian nasceu na Escócia em 5 de outubro de 1945. Sua mãe, ainda adolescente, deixou o bebê em um hospital de Glasgow, e ele acabou sendo criado por outra família, adotando durante parte da juventude o sobrenome McManus.
Já adulto, Connolly acreditava ter uma ligação familiar com Mark McManus, ator escocês que mais tarde ficaria conhecido pela série policial Taggart. O próprio cantor dizia considerar provável que os dois fossem meio-irmãos, embora os detalhes sobre sua origem familiar nunca tenham ficado inteiramente esclarecidos.
A música ganhou espaço cedo. Na segunda metade dos anos 1960, Connolly passou por grupos britânicos até se juntar ao baterista Mick Tucker. Em 1968, os dois formaram o embrião do que se tornaria o Sweet, posteriormente completado por Steve Priest e Andy Scott.
O sucesso veio principalmente na década seguinte.
Com a estética extravagante do glam rock e músicas construídas para funcionar tanto no rádio quanto em apresentações televisivas, o Sweet acumulou uma sequência de hits. A fama era tamanha que, em alguns shows, fãs tentavam alcançar os integrantes no palco e chegavam a cortar mechas de seus cabelos.
Connolly estava no centro dessa atenção.
Um episódio ocorrido em 1974 teve consequências importantes para sua carreira. Connolly foi agredido do lado de fora de um pub em Staines, na Inglaterra, e sofreu uma lesão na garganta.
Os próprios integrantes do Sweet apresentaram versões diferentes sobre as circunstâncias do ataque ao longo dos anos, mas concordavam sobre suas consequências: a voz do cantor foi afetada e sua confiança diminuiu. Segundo relatos posteriores de colegas da banda, o consumo de álcool também se intensificou naquele período.
Ainda assim, Connolly continuou participando de alguns dos maiores sucessos do grupo durante a segunda metade da década de 1970. A relação interna, entretanto, ficou cada vez mais difícil.
Em 1979, ele deixou o Sweet e tentou construir uma carreira solo.
A nova fase não repetiu o desempenho comercial dos anos anteriores. Singles lançados por Connolly não tiveram a mesma repercussão, enquanto os problemas com o álcool e a saúde começavam a interferir cada vez mais em sua rotina.
Em 1981, Connolly sofreu uma grave crise de saúde e foi hospitalizado.
É desse episódio que surgiu uma das informações mais repetidas sobre sua vida: a de que teria sofrido uma quantidade extraordinária de ataques cardíacos em um período muito curto.
Uma reportagem publicada pelo The Guardian anos depois afirma que foram 14 paradas cardíacas em 24 horas. Já uma entrevista publicada pelo The Independent em 1996 registrou uma divergência curiosa: a ex-mulher de Connolly dizia que ele havia sofrido um ataque cardíaco seguido de outros 13 em 24 horas, enquanto o próprio cantor afirmava que os episódios haviam ocorrido ao longo de aproximadamente seis semanas.
Portanto, embora a versão dos “13 ataques cardíacos em 24 horas” tenha se popularizado, não existe consenso nem mesmo entre os relatos de pessoas diretamente envolvidas.
O que não está em dúvida é a gravidade do quadro.
Depois daquela sequência de problemas cardíacos, Connolly ficou com dificuldades na fala, tremores e paralisia parcial do lado esquerdo do corpo. Ele contou que precisou reaprender aspectos básicos da fala por meio de terapia e exercícios respiratórios.
Ao mesmo tempo em que enfrentava problemas de saúde, Connolly precisou lidar com uma pesada cobrança fiscal relacionada aos rendimentos obtidos durante os anos de sucesso do Sweet.
Registros biográficos relatam que a Receita britânica apresentou aos integrantes da banda uma cobrança de vários milhões de libras referente ao dinheiro obtido com seus discos. Connolly vendeu sua casa para pagar a parte que lhe cabia.
A situação representava uma mudança considerável para um músico que, poucos anos antes, fazia parte de uma das bandas comercialmente mais bem-sucedidas da Europa.
Ele, no entanto, continuou tentando trabalhar.
A partir dos anos 1980, voltou aos palcos com novas formações e passou a apresentar-se com nomes como New Sweet e Brian Connolly’s Sweet. Houve inclusive tentativas de reunir a formação clássica.
Uma delas ocorreu em 1988, quando o produtor Mike Chapman levou os integrantes a Los Angeles para novas gravações. Segundo relatos posteriormente reunidos pelo The Guardian, a condição física e vocal de Connolly dificultou o projeto, que acabou abandonado.
O estado de Connolly chamou atenção especial na década de 1990.
Um documentário do Channel 4 acompanhou o cantor quando ele já apresentava tremores intensos, dificuldades para caminhar e uma voz bastante diferente daquela registrada nos grandes sucessos do Sweet.
Mesmo assim, continuava realizando apresentações.
Em 1995, lançou o álbum solo Let’s Go. No mesmo período, tornou-se pai novamente. Seu filho Brian Junior nasceu em 1995.
A distância entre o cantor que aparecia diante das câmeras naquela época e o ídolo pop da década de 1970 era evidente. O The Independent, em um perfil publicado pouco antes de sua morte, descreveu Connolly com as mãos trêmulas e dificuldades físicas, embora ainda capaz de conversar de forma lúcida sobre a própria carreira.
Seu último show ocorreu em dezembro de 1996.
Poucas semanas depois, sofreu outro ataque cardíaco e foi hospitalizado em Slough. Connolly chegou a deixar o hospital por decisão própria depois de aproximadamente uma semana, mas precisou ser internado novamente.
Em fevereiro de 1997, morreu aos 51 anos.
Há um detalhe importante na versão da história que circula atualmente.
Embora textos posteriores afirmem que Brian Connolly terminou seus dias sozinho e vivendo em condições extremamente precárias, a cobertura publicada imediatamente após sua morte registra outra circunstância para seus momentos finais.
O The Independent informou na época que Connolly morreu de insuficiência renal em um hospital de Slough e estava acompanhado por amigos e familiares. O jornal também registrou o histórico de ataques cardíacos e a nova internação ocorrida pouco antes de sua morte.
Há igualmente pequenas divergências entre fontes sobre a data exata, apresentada em registros biográficos como 9 ou 10 de fevereiro de 1997.
O que as fontes permitem afirmar com segurança é que seus últimos anos ficaram muito distantes da situação financeira e física que havia experimentado no auge do Sweet. Ele vendeu uma casa para arcar com obrigações fiscais, sofreu sucessivos problemas cardíacos e continuou tentando trabalhar nos palcos mesmo com limitações severas.
Depois de sua morte, admiradores organizaram eventos para homenageá-lo e arrecadaram recursos para instalar uma placa memorial no Breakspear Crematorium, nos arredores de Londres.
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