Crescer diante das câmeras costuma produzir um arquivo público de fases que, para qualquer outra pessoa, permaneceriam guardadas em álbuns de família. No caso de Ella Bleu Travolta, cada mudança física virou pretexto para comparações, palpites e comentários invasivos de desconhecidos. Ainda adolescente, ela chegou a ser chamada de “gordinha” por sites e usuários das redes sociais. Hoje, aos 26 anos, surge nos tapetes vermelhos com uma imagem segura e elegante, enquanto constrói uma carreira própria como atriz e cantora.
Nascida em 3 de abril de 2000, na Califórnia, Ella é filha de John Travolta e da atriz Kelly Preston, que morreu em julho de 2020, aos 57 anos, após enfrentar um câncer de mama. Desde cedo, ela conviveu com o cinema, a música e os bastidores da fama, embora seus primeiros palcos fossem bem mais modestos.
Na casa da família no estado do Maine, Ella e os amigos montavam apresentações atrás de uma pequena cortina vermelha. Havia números de dança, canto, peças natalinas e adaptações improvisadas de personagens conhecidos. Em entrevista à revista People, ela contou que sempre gostou de cantar, dançar e criar espetáculos para familiares e amigos.
Ella tinha nove anos quando apareceu em seu primeiro longa-metragem, a comédia Surpresa em Dobro, lançada em 2009. O elenco reunia John Travolta, Kelly Preston e Robin Williams.
Para uma criança estreante, trabalhar com os próprios pais trouxe certa proteção em um ambiente que poderia ser intimidador. Anos depois, em 2019, ela voltou a atuar com o pai no suspense A Rosa Venenosa, no qual interpretou Rebecca Hunt.
John admitiu que acompanhava o trabalho da filha com entusiasmo quase exagerado. Durante as filmagens, ele ficava atrás das câmeras repetindo silenciosamente as falas e os movimentos dela. Ella, por sua vez, disse que se sentia mais tranquila sabendo que o pai estava por perto e atento ao monitor.
Em 2026, pai e filha dividiram novamente um projeto em Propeller One-Way Night Coach, estreia de John Travolta na direção de um longa. Inspirado em um livro infantil escrito pelo ator em 1997, o filme acompanha um garoto apaixonado por aviões durante uma viagem pelos Estados Unidos. Ella interpreta uma comissária de bordo.
A produção foi apresentada no Festival de Cannes de 2026, onde John recebeu uma Palma de Ouro honorária. O ator descreveu a experiência de dirigir a filha como uma das maiores alegrias de sua vida.
Fotos de Ella por volta dos 12 ou 13 anos passaram a circular acompanhadas de comentários cruéis sobre seu corpo. Algumas pessoas a chamavam de “gordinha”, enquanto outras chegaram a fazer especulações absurdas sobre uma possível gravidez.
Nada disso tinha relevância pública. Tratava-se do corpo de uma menina atravessando a adolescência, mas o fato de ela ser filha de um dos atores mais conhecidos de Hollywood transformou mudanças naturais em material para manchetes.
Esse tipo de exposição também revela uma cobrança contraditória dirigida às filhas de celebridades. Elas são acusadas de aproveitar o sobrenome quando aparecem e, ao mesmo tempo, têm a infância, o peso, as roupas e o rosto examinados como se fossem personagens contratadas para satisfazer o público.
Ella raramente alimentou esse debate. Em vez de responder diretamente aos comentários, manteve uma presença relativamente discreta e passou a divulgar com mais frequência seu trabalho, suas receitas e seus projetos musicais.
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Em 2022, Ella decidiu experimentar uma alimentação vegana por duas semanas, incentivada por uma amiga próxima. Como se sentiu bem, resolveu continuar.
Ela também assistiu a documentários e pesquisou os possíveis impactos ambientais da redução do consumo de produtos de origem animal. Em entrevista ao site Green Matters, afirmou que a mudança aumentou sua disposição e alterou positivamente a maneira como se sentia no dia a dia.
Apesar das comparações feitas por páginas de celebridades, não há confirmação de que Ella tenha adotado o veganismo com o objetivo específico de emagrecer. Ela própria costuma falar sobre energia, bem-estar, animais e meio ambiente, sem apresentar a alimentação como uma fórmula para perder peso.
Também evita pressionar o pai a seguir a mesma escolha. Segundo Ella, decisões alimentares devem partir de cada pessoa. Em casa, ela prefere oferecer versões vegetais de pratos conhecidos e deixar que os familiares tirem as próprias conclusões.
O interesse de Ella pela culinária ganhou espaço nas redes sociais. Em 2023, ela criou o perfil “Ella Bleu Bakes”, dedicado a receitas, cafeterias, restaurantes e sobremesas com ingredientes vegetais.
Uma de suas especialidades é o pão de banana vegano. No café da manhã, ela também costuma optar por combinações simples, como torradas com pasta de amendoim, agave e especiarias, além de matcha preparado com leite vegetal.
Em uma das experiências mais comentadas, Ella recriou o bolo de coco que Tom Cruise costuma enviar a amigos famosos durante as festas de fim de ano. John Travolta aprovou diante das câmeras, e Benjamin, irmão mais novo de Ella, apareceu raspando os últimos pedaços do prato.
A relação com Benjamin é particularmente próxima. Ella também era irmã de Jett Travolta, que morreu em 2009, aos 16 anos, após sofrer uma convulsão durante uma viagem da família às Bahamas. Benjamin nasceu em novembro de 2010, pouco menos de dois anos depois da perda de Jett.
Além do cinema e da moda, Ella passou a investir em uma carreira musical. Durante o período de isolamento da pandemia, acumulou no celular pequenos trechos de melodias e letras compostas com um ukulele.
John Travolta ouviu algumas gravações e a incentivou a finalizar as canções. O resultado foi o EP de estreia Colors of Love, lançado em novembro de 2024. Segundo Ella, cada faixa apresenta uma perspectiva diferente sobre o amor, incluindo amizade, insegurança, relações não correspondidas e luto.
Uma das músicas mais pessoais, “Little Bird”, foi dedicada a Kelly Preston. O videoclipe reuniu gravações domésticas da atriz ao lado de John, Ella e Benjamin. A cantora afirmou que sentiu a presença da mãe durante a criação da faixa e do restante do projeto.
Depois da morte de Kelly, a proximidade entre Ella e o pai ficou ainda mais visível. Os dois viajam juntos, participam de eventos e frequentemente publicam homenagens um ao outro.
John atua como conselheiro profissional, mas Ella vem ampliando sua identidade para além do sobrenome. Já trabalhou como modelo, lançou músicas autorais, assumiu papéis no cinema e passou a comparecer sozinha a eventos importantes da moda.
Em 2026, aos 26 anos, ela chamou atenção ao atravessar o tapete vermelho de Cannes usando um vestido preto de veludo durante a apresentação do filme dirigido pelo pai. Meses antes, John também havia celebrado publicamente a participação da filha no Fashion Trust U.S. Awards, dizendo estar orgulhoso dela.
A transformação mais interessante, portanto, não cabe em uma comparação de fotografias antigas e recentes. A adolescente que teve o corpo julgado por estranhos tornou-se uma mulher que escolhe como deseja aparecer, o que pretende cantar e quais histórias quer contar. E faz isso sem transformar os ataques sofridos na infância no centro de sua identidade.
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