Quando Whitney Houston aceitou estrear no cinema ao lado de Kevin Costner em O Guarda-Costas, lançado em 1992, ela já estava entre as maiores cantoras do mundo. Diante das câmeras, porém, entrava em um território completamente novo. Foi nesse período que Costner assumiu com ela um compromisso que só viria a explicar publicamente muitos anos depois.
Em participação no podcast Armchair Expert, de Dax Shepard, publicada em junho de 2024, o ator relembrou os bastidores do filme e contou que prometeu a Whitney que cuidaria para que ela estivesse bem no papel. Para Costner, a confiança entre os dois se tornou decisiva durante as filmagens.
Na época, Costner não era somente o protagonista. Ele também produzia o longa e teve participação direta na escolha de Whitney para interpretar Rachel Marron, uma cantora ameaçada por um perseguidor que passa a ser protegida pelo ex-agente do Serviço Secreto Frank Farmer.
Segundo o ator, Whitney foi uma escolha pessoal dele para o papel. Costner recordou que o diretor Mick Jackson demonstrava insegurança diante da ideia de trabalhar com uma artista que já possuía tamanha projeção na música e ainda não tinha experiência como protagonista de cinema. Mesmo assim, ele insistiu na escalação.
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Costner contou que percebeu rapidamente que Whitney confiava nele durante a produção. A partir daí, passou a orientá-la em alguns momentos, sem a intenção, segundo ele, de assumir o lugar do diretor.
Foi nesse contexto que surgiu a promessa: ele havia assegurado a Whitney que ela funcionaria no filme e que cuidaria para que sua participação desse certo. Em outra recordação sobre aquele período, Costner explicou que pediu à cantora que não levasse uma grande comitiva para o set e garantiu que estaria ao lado dela durante o trabalho.
O ator chegou a definir sua posição naquele momento como a de um “guarda-costas imaginário”, numa referência direta ao papel que interpretava no longa.
A aposta acabou se transformando em um enorme sucesso comercial. O Guarda-Costas chegou aos cinemas norte-americanos em novembro de 1992 e arrecadou aproximadamente US$ 411 milhões mundialmente. Costner interpretava Frank Farmer, enquanto Whitney vivia Rachel Marron em sua estreia como protagonista de um longa-metragem.
A relação profissional entre os dois continuou sendo lembrada por Costner durante as décadas seguintes. Em 2022, ao falar sobre a colega, ele voltou a dizer que Whitney tinha capacidade para assumir o papel, embora ela própria demonstrasse dúvidas antes das filmagens.
A ligação entre os dois voltou ao centro das atenções em fevereiro de 2012, quando Whitney Houston morreu aos 48 anos. Costner foi convidado a discursar durante o funeral realizado em Newark, Nova Jersey.
Anos depois, ele contou que inicialmente teve dúvidas sobre aceitar a responsabilidade. A cantora Dionne Warwick, prima de Whitney, o incentivou a falar na cerimônia. Costner então preparou pessoalmente um discurso que acabou durando cerca de 17 minutos.
Segundo o ator, antes da homenagem alguém comentou que a CNN, que transmitia a cerimônia, preferiria uma fala mais curta por causa dos intervalos comerciais. Costner decidiu manter o texto que havia preparado.
Durante o discurso, ele relembrou a insegurança que Whitney demonstrava antes de estrear como atriz e falou sobre os bastidores de O Guarda-Costas, filme que havia unido suas trajetórias 20 anos antes.
O desempenho comercial do longa acabou sendo acompanhado por um fenômeno ainda maior na música.
Whitney gravou seis faixas para a trilha sonora e também participou como coprodutora executiva do álbum. Segundo o site oficial da cantora, a trilha de O Guarda-Costas vendeu mais de 45 milhões de cópias no mundo e tornou-se a trilha sonora mais vendida de todos os tempos.
Entre as músicas estava sua versão de “I Will Always Love You”, composição de Dolly Parton que acabou se tornando uma das gravações mais associadas à carreira de Whitney.
O álbum ficou 20 semanas na primeira posição da Billboard 200 e conquistou o Grammy de Álbum do Ano em 1994. A interpretação de “I Will Always Love You” também rendeu a Whitney o prêmio de Gravação do Ano.
Curiosamente, nenhuma dessas conquistas musicais explica por completo a promessa mencionada por Costner décadas depois. Ela estava ligada principalmente à insegurança de Whitney diante de sua primeira experiência como atriz.
Ao recordar aquele período no podcast, o ator resumiu o compromisso de maneira simples: havia prometido que ela ficaria bem no filme. O enorme sucesso alcançado por O Guarda-Costas acabou tornando aquela garantia feita nos bastidores uma das histórias mais duradouras da parceria entre os dois.
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