Judith Susan Sheindlin se tornou conhecida por milhões de pessoas como Judge Judy, a juíza de respostas rápidas e pouca tolerância para desculpas que transformou um programa de tribunal em um dos maiores sucessos da televisão americana.
Antes da fama, porém, sua vida seguiu por um caminho bem menos previsível, entre dificuldades familiares, resistência no ambiente acadêmico e uma carreira jurídica construída quando poucas mulheres ocupavam aquele espaço.
Judy nasceu em 21 de outubro de 1942, no Brooklyn, em Nova York. O pai, Murray, era dentista, enquanto a mãe, Ethel, trabalhava como gerente de escritório.
Segundo relatos biográficos da apresentadora, um episódio envolvendo o trabalho de Murray afetou a família quando Judy ainda era criança. Ele também prestava serviços para a administração municipal e teria defendido formas de reduzir os gastos públicos com materiais odontológicos.
A iniciativa acabou provocando ameaças contra sua vida. Diante do temor provocado na família, Murray recuou. Para Judy, ainda muito jovem, o episódio reforçou a imagem do pai como alguém disposto a defender aquilo que considerava correto.
Anos depois, ela também recordaria a influência de seu avô religioso. Em entrevista ao The Guardian, contou que as explicações dele sobre responsabilidade e expiação durante o Yom Kippur ajudaram a formar sua visão bastante objetiva sobre regras e consequências.
Ainda antes dos 10 anos, Judy já considerava seguir a carreira jurídica. Estudou na American University, em Washington, e depois ingressou na faculdade de Direito da instituição.
Ali, encontrou um cenário que hoje parece difícil de conceber: era a única mulher em uma turma com 126 alunos. Posteriormente, concluiu o curso na New York Law School e obteve o diploma de Direito em 1965.
A presença feminina naquele ambiente ainda era tratada com resistência aberta. Segundo Sheindlin relatou ao longo dos anos, chegou a ouvir de um professor que estaria ocupando uma vaga que poderia pertencer a um homem que teria de sustentar uma família.
Depois de formada, trabalhou brevemente como advogada corporativa em uma empresa de cosméticos. Deixou o posto para cuidar dos dois filhos que teve no primeiro casamento, mas acabou retornando ao mercado de trabalho.
Em 1972, conseguiu uma vaga no sistema de tribunais de família de Nova York. Lidava com casos envolvendo violência doméstica, abuso infantil e conflitos familiares, área em que começou a desenvolver o estilo direto que posteriormente ficaria conhecido na televisão.
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A carreira ganhou novo impulso em 1982, quando o então prefeito de Nova York, Ed Koch, nomeou Judy para atuar como juíza. Mais tarde, ela chegou ao posto de juíza supervisora da divisão de família de Manhattan.
Sua atuação chamou a atenção do Los Angeles Times, que publicou em fevereiro de 1993 uma extensa reportagem sobre sua rotina. O texto descrevia uma magistrada rápida nas decisões, sarcástica em alguns momentos e bastante crítica à burocracia do sistema judicial.
A matéria despertou o interesse do programa 60 Minutes, da CBS. A reportagem televisiva ampliou sua projeção nacional e acabou abrindo caminho para uma mudança radical de carreira.
Em 1996, estreou o programa Judge Judy.
A produção acompanhava Sheindlin julgando pequenas disputas civis diante das câmeras. Seu estilo, com perguntas curtas, interrupções frequentes e pouca paciência para explicações consideradas inconsistentes, tornou-se a marca registrada do programa.
A atração permaneceu no ar durante 25 temporadas e consolidou-se como um dos programas judiciais de maior audiência nos Estados Unidos. Em determinados períodos, reunia uma média superior a 10 milhões de espectadores por dia.
O sucesso também transformou Judy em uma das apresentadoras mais bem pagas da televisão americana.
Durante anos, ela recebeu cerca de US$ 47 milhões anuais pelo programa. Parte relevante de sua fortuna ainda veio de negociações envolvendo os direitos do catálogo de episódios de Judge Judy. Em 2017, a CBS pagou aproximadamente US$ 100 milhões para adquirir os direitos de milhares de episódios antigos e futuros da atração.
Em 2020, a Forbes estimava o patrimônio de Sheindlin em cerca de US$ 440 milhões. O valor é uma estimativa, não uma informação financeira oficialmente divulgada por ela.
Depois do encerramento de Judge Judy, Sheindlin continuou na televisão com Judy Justice, lançado em 2021.
A vida pessoal da apresentadora também teve algumas reviravoltas. Seu primeiro casamento, com Ronald Levy, terminou em 1976. Os dois tiveram dois filhos.
Pouco tempo depois, ela conheceu o advogado Jerry Sheindlin, que posteriormente se tornaria juiz da Suprema Corte do Estado de Nova York. Eles se casaram no fim da década de 1970.
Em 1990, após a morte do pai de Judy, o relacionamento entrou em crise. O casal acabou se divorciando, mas a separação durou pouco. No ano seguinte, Judy e Jerry decidiram se casar novamente.
Outro episódio frequentemente associado à biografia de Judge Judy ocorreu em março de 2011. Durante uma gravação, integrantes da equipe perceberam que ela não parecia bem e chamaram paramédicos.
Sheindlin foi levada ao hospital e posteriormente afirmou acreditar que havia sofrido um ataque isquêmico, conhecido popularmente como mini-AVC. Ela tinha 68 anos na ocasião.
Décadas depois de entrar em uma faculdade de Direito praticamente sem presença feminina, Judith Sheindlin acumulou milhares de casos julgados, 25 temporadas à frente de Judge Judy e uma fortuna estimada em centenas de milhões de dólares. Em setembro de 2026, aos 83 anos, ela anunciou que encerraria sua carreira diante das câmeras após o fim de Judy Justice, permanecendo ligada à televisão como produtora.
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