É preciso mais que a esperança

Esperar… Se consultarmos um dicionário, certamente encontraremos vários significados para este verbo. Ficar em algum lugar até que chegue alguém ou alguma coisa que se tem como certa ou provável; aguardar; contar com; ter esperança; supor; acreditar, etc. Estes e outros tantos possíveis significados nem de longe conseguem expressar toda a expectativa, o desejo, a intensidade de sentimentos que estão por trás do ato de esperar.

Uma mãe que espera seu bebê, não somente aguarda ansiosamente a sua chegada, mas faz desta espera a mais fiel tradução de um sonho. O noivo, ao esperar a noiva no altar, consegue quase que simultaneamente fazer uma retrospectiva dos momentos já vividos e avançar no tempo imaginando todo o por vir.

A espera de um resultado importante, seja ele um diagnóstico médico ou a lista de aprovados em um concurso, pode representar a mais longa e penosa espera de nossas vidas ainda que tenha levado somente alguns instantes. Uma coisa, porém, sempre acompanha o ato de esperar: ela se chama esperança.

A esperança é uma crença emocional na possibilidade de resultados positivos. Ela depende de uma certa perseverança, já que pressupõe a crença de que algo é possível, mesmo quando tudo indica o contrário. Neste sentido, a esperança se aproxima muito do que chamamos de fé. A esperança nos faz continuar quando a vontade imperiosa seria parar e deisistir. Ela nos aponta que caminho seguir, quando, na encruzilhada da vida, nos sentimos meio perdidos. A esperança faz a criança não somente crer no Papai Noel, mas que ele voltará a cada Natal, com um presente ainda mais bonito.

A esperança é capaz de fazer os casamentos duradouros, uma mãe jamais abandonar um filho com problemas, um amigo pedir perdão. Muitas coisas são possíveis através da esperança. Mas é preciso mais que a esperança para fazer a diferença. É preciso tomar posse e fazer dela a sua realidade. Não viver de esperança, mas viver a esperança. Ainda que, às vezes, isso beire a insanidade. Não, isso pouco importa quando loucura mesmo é tentar viver sem esperança.

***

A Imagem de capa é do filme francês “Hope”.

Adriane Sabroza

Psicoterapeuta por paixão e opção, mãe de três meninas lindas, minha maior realização e, nas horas vagas, aprendiz de escritora, sem nenhuma pretensão.

Recent Posts

Privatização de estatais: o que muda para o acionista minoritário na prática?

Os processos de desestatização geram mudanças estruturais profundas na governança corporativa, na alocação de capital…

21 horas ago

“Fui trancada para não comer”: Deborah Secco revela episódio extremo vivido com ex

Deborah Secco abre o jogo sobre relação tóxica e conta episódio extremo que viveu com…

2 dias ago

Você costuma viajar de camiseta? Comissário de bordo explica por que vale repensar esse hábito

Comissário de bordo alerta sobre camiseta no avião e explica o risco que quase ninguém…

2 dias ago

Essa ruiva de olhos azuis marcou as revistas nos anos 80 — veja como ela está hoje

Poucos esqueceram esse rosto dos anos 80 — veja como a famosa modelo está hoje

2 dias ago

Meu padrasto nunca me abandonou. Só no hospital descobri por que ele quase foi embora um dia

Meu padrasto me criou como filha desde pequena. No fim da vida, contou algo que…

2 dias ago

Quantos gatos você consegue contar? O detalhe que faz muita gente errar está bem na sua frente

Quantos gatos aparecem aqui? A resposta surpreende quem confia demais na primeira olhada

2 dias ago