Bonecas negras na Nigéria são lançadas para combater o preconceito e já vendem mais que a Barbie

Algumas pessoas só precisam de um estalo para entender o que podem fazer para melhorar a vida das pessoas, mas esse estalo não é simples de aparecer – ele só surge se você já estiver pensando ou envolvido de alguma forma com um tema no qual você acredita.
Um exemplo? Taofik Okoya, que era diretor executivo da empresa do seu pai na África, mas largou o cargo para abrir uma empresa de bonecas. Tudo começou quando ele precisou comprar uma boneca para sua sobrinha. Nessa altura, Okoya percebeu que todas as bonecas eram brancas e caras e começou a refletir sobre o valor que isso teria para o futuro de meninas, como sua sobrinha, que são as futuras mulheres e que podem fazer coisas extraordinárias pela África.

“Meu objetivo é mudar a realidade de milhares de crianças com brinquedos próximos de sua realidade”, disse o empresário, que fez assim nascer o projeto “Queens of Africa” (Rainhas da África), que consiste em uma série de bonecas negras, inspiradas em grandes mulheres da história africana, vestidas com trajes locais relacionados à cultura do continente.

Hoje, sua empresa vende entre 6 mil e 9 mil unidades das bonecas das linhas “Rainhas da África” e “Princesas Naija” — o que ele estima que represente até 15% do mercado.

“Eu gosto. Ela é negra, igual a mim”, disse Ifunanya Odiah, de 5 anos, à Reuters, em um shopping center de Lagos.

As bonecas custam entre 1.300 e 3.500 nairas (em torno de R$ 50).
Com cerca de 170 milhões de habitantes, a Nigéria – país mais populoso do continente africano – tem a economia está aquecida, crescendo a cerca de 7% ao ano. O mercado de brinquedos é um dos que se destaca no país, com crescimento de 13% ano entre 2006 e 2011. Segundo a Reuters, a Mattel há décadas vende bonecas negras, mas uma porta-voz disse que sua presença na África Subsaariana é “muito limitada” e que a empresa “não tem neste momento planos de expansão nesta área para compartilhar”.
Okoya, por outro lado, tem conseguido aumentar suas exportações, sobretudo para a Europa. E o empreendedor segue sonhando alto. O próximo passo é construir bonecas de outros grupos étnicos africanos. Ele também negocia com a rede sul-africana Game, subsidiária do Wal-Mart, a venda das bonecas em 70 lojas do continente.

Fontes: Extra, Hypeness

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