A vida na hora.
Cena sem ensaio.
Corpo sem medida.
Cabeça sem reflexão.
Não sei o papel que desempenho.
Só sei que é meu, impermutável.
De que se trata a peça
devo adivinhar já em cena.
Despreparada para a honra de viver,
mal posso manter o ritmo que a peça impõe.
Improviso embora me repugne a improvisação.
Tropeço a cada passo no desconhecimento das coisas.
Meu jeito de ser cheira a província.
Meus instintos são amadorismo.
O pavor do palco, me explicando, é tanto mais humilhante.
As circunstâncias atenuantes me parecem cruéis.
Não dá para retirar as palavras e os reflexos,
inacabada a contagem das estrelas,
o caráter como o casaco às pressas abotoado
— eis os efeitos deploráveis desta urgência.
Se eu pudesse ao menos praticar uma quarta-feira antes
ou ao menos repetir uma quinta-feira outra vez!
Mas já se avizinha a sexta com um roteiro que não conheço.
Isto é justo — pergunto
(com a voz rouca
porque nem sequer me foi dado pigarrear nos bastidores).
É ilusório pensar que esta é só uma prova rápida
feita em acomodações provisórias. Não.
De pé em meio à cena vejo como é sólida.
Me impressiona a precisão de cada acessório.
O palco giratório já opera há muito tempo.
Acenderam-se até as mais longínquas nebulosas.
Ah, não tenho dúvida de que é uma estreia.
E o que quer que eu faça,
vai se transformar para sempre naquilo que fiz.
SZYMBORSKA, Wislawa ( 1923 — 2012), In: Poemas – Seleção, tradução e prefácio de Regina Perybycien – São Paulo: Companhai das Letras, 2011. p.p. 61.62
A inteligência artificial, como o ChatGPT, vem ganhando espaço na rotina de muitas pessoas. Ela…
A expressão “terapia por IA” ganhou espaço nas buscas da internet. Com a popularização dos…
Ela era presença constante na televisão, mas hoje poucos sabem como vive a atriz de…
Seu azeite pode não ser tão extravirgem quanto parece; laudo aponta marcas reclassificadas
Essas pequenas esferas brancas apareceram ao lado da cama e deixaram muita gente intrigada
Há um detalhe no seu ano de nascimento que pode revelar algo curioso sobre sua…