Categories: BEM ESTARbudismo

A perda é inevitável

Por Padma Samten

A aparente normalidade de nossas rotinas não nos prepara para os eventos-limite da derrota, abandono, depressão, doença e morte. Olhar esses acontecimentos com olhos de profundidade, antes que eles ocorram, nos ajuda a ter lucidez quando se concretizam. Omitir a realidade deles é inútil. Referindo-se à inevitabilidade da morte, Chagdud Rinpoche dizia, sorrindo: “antes de cair na água é necessário aprender a nadar”.

Na nossa cultura, a morte parece algo a ser evitado. Confrontados com a proximidade do fim de nossos entes queridos, nos sentimos incapazes de ajudá-los. Parece insuportável até mesmo ouvi-los. Impotentes, sofremos diante de suas dores e lamentos. Como ajudá-los e a nós mesmos quando nos aproximarmos desse momento? Onde colocar nossa mente e nossas emoções nessa passagem?  O que fazer quando entendemos que não poderemos mais ajudar nossos pais, nossos filhos e nossos amigos queridos? Nesse momento, as habilidades quanto ao funcionamento comum do mundo perdem seu poder. Defrontamo-nos com o desconhecido, impenetrável à nossa compreensão.

Situações-limite ocorrem também durante nossa trajetória, quando estamos doentes, derrotados, excluídos, impotentes. Parece não haver mais lugar para nós na vida, que então se apresenta hostil e inescrutável. Quando uma pessoa amada nos abandona, por exemplo, há um mundo que cessa. A dor da morte nos invade. Tudo ao redor perde o sentido, o brilho e a cor. A própria respiração é afetada. A energia vai embora. O futuro desaparece. O passado muda. O segredo dos mestres é que o potencial de visão, lucidez e cura está em cada um de nós. O que as estrelas no céu diriam das nossas dores e frustrações? Olhando a partir do espaço longínquo, o próprio planeta parece diminuto. O que dizer dos seres minúsculos e suas vidas, frustrações e dores flutuantes? Os mestres vivem no espaço livre além das bolhas e de lá nos ajudam com sua visão.

Mergulhados nas realidades estreitas e suas aflições, perdemos a consciência até mesmo do céu infinito sobre as nossas cabeças. A dor abarca a bolha onde estamos mergulhados. Quando reconhecemos essas bolhas de realidade e sua ação, é porque nossos olhos migraram para um lugar além delas e, portanto, além do sofrimento inerente a elas. Magicamente há o renascimento, o momento em que voltamos a sorrir e a energia passa a circular novamente. É como uma nova vida; talvez seja mesmo uma nova vida.

PADMA SAMTEN é lama budista. Fundou e dirige o Centro de Estudos Budistas Bodisatva, em Viamão, RS.

Fonte: Vida Simples

CONTI outra

As publicações do CONTI outra são desenvolvidas e selecionadas tendo em vista o conteúdo, a delicadeza e a simplicidade na transmissão das informações. Objetivamos a promoção de verdadeiras reflexões e o despertar de sentimentos.

Recent Posts

Ele tomou 4L de água por dia durante um ano e o efeito no corpo surpreendeu médicos

O que 4 litros de água por dia durante 365 dias fizeram com o corpo…

13 horas ago

Você lembra da menina mais bonita do mundo? Ela cresceu, se casou e as fotos impressionam

A menina mais bonita do mundo cresceu: veja como ela estava no dia em que…

13 horas ago

Você provavelmente já fez algumas destas coisas que a Bíblia condena sem saber

Você faz alguma delas? A Bíblia condena atitudes que hoje parecem completamente normais

13 horas ago

Você desperta, tenta se mexer, mas nada acontece: o motivo pode ser mais comum do que parece

Já sentiu o corpo travado ao acordar, mesmo estando consciente? Veja o que isso significa

14 horas ago

Homem que vivia tendo acessos de raiva desabou ao ver o que médicos encontraram em seu cérebro

Ele sofria com explosões de raiva sem explicação até uma imagem do cérebro revelar algo…

14 horas ago

10 detalhes que você deve observar antes de agendar um atendimento psicoterápico online

Encontrar uma psicóloga e agendar uma sessão de psicoterapia online pode parecer uma tarefa simples.…

17 horas ago