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3 motivos para nunca usar calça legging em voos longos… E muita gente ainda ignora isso

A legging parece ter sido feita sob medida para aeroportos: é leve, elástica, ocupa pouco espaço na mala e permite passar horas sentada sem a rigidez de uma calça jeans. Por isso, basta observar uma sala de embarque para perceber como a peça se tornou praticamente um uniforme informal de viagem.

O problema aparece quando algumas dessas características são colocadas à prova durante seis, oito ou dez horas dentro de um avião.

Isso não significa que vestir uma legging automaticamente coloque alguém em risco, nem que a peça provoque trombose por si só. Esse detalhe é importante porque várias recomendações que circulam nas redes sociais exageram essa relação. O principal fator associado à formação de coágulos durante viagens longas é permanecer sentado e com pouca movimentação durante muitas horas. A Organização Mundial da Saúde considera que viagens superiores a quatro horas já estão associadas a um aumento do risco de tromboembolismo venoso.

Ainda assim, existem alguns bons motivos para pensar duas vezes antes de escolher aquela legging extremamente justa para enfrentar um voo longo.

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1. Legging apertada não substitui meia de compressão e pode ficar bem menos confortável depois de algumas horas

É fácil confundir duas coisas bastante diferentes: uma roupa apertada e uma peça de compressão graduada.

Meias de compressão próprias para viagens são desenvolvidas para exercer diferentes níveis de pressão ao longo da perna, ajudando o retorno do sangue. Algumas pessoas com maior risco de trombose podem inclusive receber recomendação médica para utilizá-las durante trajetos prolongados. O CDC, dos Estados Unidos, cita as meias de compressão graduada como uma das medidas que podem ser indicadas para determinados viajantes.

Uma legging comum não funciona dessa maneira.

E existe outro detalhe que costuma aparecer algumas horas depois da decolagem: as pernas e os pés podem inchar durante viagens prolongadas. Uma roupa que parecia perfeitamente confortável no aeroporto pode começar a apertar cintura, virilha, joelhos ou panturrilhas depois de horas sentada.

O ponto central, portanto, não é afirmar que a legging “corta a circulação” e provoca trombose. Isso seria simplificar demais o problema. O maior inimigo da circulação durante um voo continua sendo a imobilidade prolongada.

Por isso, levantar-se periodicamente quando for possível, movimentar tornozelos e pernas e evitar permanecer completamente imóvel durante horas são medidas mais relevantes. O CDC recomenda exercícios das pernas durante a viagem e orienta pessoas com fatores adicionais de risco a conversar com um profissional de saúde sobre estratégias preventivas.

Para quem gosta de roupas ajustadas, existe ainda uma diferença importante entre uma legging confortável e aquela peça tão apertada que deixa marcas profundas na pele depois de algumas horas.

2. O tecido pode transformar pequenas irritações em um incômodo que dura o voo inteiro

Boa parte das leggings esportivas é fabricada com fibras sintéticas, como poliéster, poliamida e elastano. São materiais excelentes para proporcionar elasticidade e manter a peça ajustada ao corpo, mas essa combinação também significa várias horas de tecido em contato contínuo com a pele.

Durante um voo longo, você passa boa parte desse período praticamente na mesma posição. A região da cintura, das coxas, da virilha e atrás dos joelhos recebe pressão e atrito repetidamente.

Se a peça estiver muito justa, tiver costuras em locais incômodos ou não administrar bem umidade e calor, algo tolerável durante uma ida rápida à academia pode se tornar bastante irritante depois de oito horas.

Há também um fenômeno curioso dentro do avião: a cabine possui umidade relativa muito baixa. Isso favorece sensação de ressecamento durante a viagem. Portanto, a ideia de que “o ar do avião faz a pele sufocar dentro da legging” não é exatamente correta, mas o conjunto formado por tecido justo, atrito, muitas horas sentado e sensibilidade individual pode tornar a viagem menos confortável.

Por esse motivo, roupas um pouco mais soltas costumam ser uma escolha simples para trajetos longos. Calças de tecidos leves, modelos esportivos mais amplos ou peças com cintura que não comprima excessivamente o abdômen permitem também mudar de posição com mais facilidade.

E mudar de posição é justamente algo desejável quando o passageiro ficará tantas horas sentado.

3. Em uma situação com fogo, alguns tecidos sintéticos têm uma característica nada agradável

Esse é o argumento mais incomum e também aquele que costuma parecer exagerado até se entender o que está sendo discutido.

Diversas leggings possuem grande quantidade de fibras sintéticas. Quando determinados materiais sintéticos são expostos a temperaturas muito elevadas ou diretamente ao fogo, eles podem amolecer, derreter ou aderir à pele.

Relatórios de investigação de acidentes já registraram situações envolvendo roupas sintéticas danificadas ou derretidas após exposição ao fogo. Em documentação de investigação do NTSB, por exemplo, há relatos de peças sintéticas que sofreram esse tipo de dano em acidentes envolvendo aeronaves.

Evidentemente, ninguém escolhe a roupa para um voo esperando enfrentar um incêndio. Acidentes graves envolvendo fogo são situações excepcionais. Ainda assim, é uma propriedade física do material que vale conhecer, especialmente porque existem alternativas igualmente confortáveis.

Tecidos naturais também queimam e não tornam ninguém imune a queimaduras. Portanto, seria incorreto vender algodão ou lã como uma espécie de roupa de proteção aeronáutica. A diferença é que algumas fibras sintéticas podem derreter sob calor intenso, acrescentando um problema que determinados tecidos naturais não apresentam da mesma forma.

Então, qual roupa faz mais sentido em um voo longo?

Para passar muitas horas dentro do avião, a combinação mais simples costuma ser uma calça confortável, relativamente folgada e que permita movimentar as pernas sem criar pontos de pressão.

Quem possui fatores de risco para trombose não deveria simplesmente trocar a legging por uma calça larga e considerar o problema resolvido. Idade, histórico de trombose, cirurgia recente, gravidez, uso de determinados medicamentos e outras condições podem alterar o risco individual. Nesses casos, a orientação médica pode incluir meias de compressão graduada ou outras medidas específicas.

Para a maioria das pessoas, uma recomendação continua sendo muito mais importante do que discutir se a calça escolhida é legging, moletom ou alfaiataria: não permanecer imóvel durante praticamente todo o voo.

A OMS identificou justamente a permanência sentada e imóvel por mais de quatro horas como o principal mecanismo relacionado ao aumento do risco de tromboembolismo durante viagens prolongadas.

Ou seja: a legging não precisa ser banida do guarda-roupa. Mas aquela versão extremamente apertada, usada durante dez horas seguidas porque “é roupa confortável”, talvez não seja a escolha tão perfeita quanto parece na fila do embarque.

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Gabriel Pietro

Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.

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