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Você reparou nisso? Titanic tem falhas escondidas em cenas que milhões de pessoas conhecem

Poucos filmes foram examinados tantas vezes quanto Titanic. Desde que chegou aos cinemas em 1997, a produção de James Cameron acumulou reprises, relançamentos e incontáveis sessões domésticas. Mesmo assim, alguns detalhes escapam facilmente até de quem conhece boa parte das cenas de memória.

Isso chama atenção porque Cameron dedicou enorme esforço à reconstrução do navio e aos acontecimentos de abril de 1912. O diretor pesquisou o naufrágio, participou de mergulhos até os destroços e cercou a produção de referências históricas. O cuidado ajudou Titanic a conquistar 11 Oscars entre suas 14 indicações, incluindo melhor filme, direção e efeitos visuais.

Toda essa atenção, porém, não impediu que pequenos erros de continuidade, equipamentos de filmagem e anacronismos acabassem aparecendo na versão final.

Uma câmera aparece onde não deveria

Uma das gafes mais discretas acontece quando Jack, interpretado por Leonardo DiCaprio, chega pela primeira vez à entrada da área de primeira classe. Durante alguns instantes, o reflexo da câmera pode ser percebido no vidro da porta.

É o tipo de detalhe praticamente invisível durante uma sessão normal, especialmente porque a atenção está concentrada nos personagens. Décadas de reprises em telas maiores e a possibilidade de pausar cada quadro tornaram esses pequenos deslizes muito mais fáceis de encontrar.

Outro equipamento também acabou denunciando a filmagem em uma cena posterior. Depois da colisão com o iceberg, quando o capitão Smith vai até a lateral da ponte para verificar a situação, a sombra da câmera aparece por alguns instantes na parte inferior da imagem.

O vidro quebrado que reaparece

Uma das sequências de maior tensão ocorre quando Rose procura Jack e descobre que ele está algemado a um cano. Para libertá-lo, ela encontra um machado de emergência protegido por uma vitrine.

Rose quebra o vidro, retira o machado e se vira. No corte seguinte, porém, boa parte do vidro da caixa está novamente no lugar.

A mudança entre as tomadas é rápida e passa despercebida com facilidade, mas constitui um clássico erro de continuidade: um objeto muda de estado entre dois enquadramentos que deveriam representar exatamente o mesmo momento.

A própria machadada produz outra curiosidade visual. Observada quadro a quadro, a lâmina parece atingir a mão de Jack em vez das algemas, enquanto o mecanismo se abre graças ao truque utilizado durante a gravação.

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A famosa marca da mão muda de lugar

Há também uma inconsistência em uma das cenas mais lembradas do casal.

Dentro do Renault guardado no porão de carga, Rose deixa a marca de sua mão no vidro embaçado. Pouco depois, quando o enquadramento passa para o interior do automóvel, a impressão aparece em outra posição e apresenta um formato diferente.

O detalhe se tornou uma das falhas de continuidade mais conhecidas entre quem costuma procurar erros no filme.

O desenho de Rose também muda

A sequência em que Jack desenha Rose concentra várias curiosidades, e uma delas está no próprio papel.

Quando o desenho começa, uma linha escura pode ser vista no centro da folha. Na tomada seguinte, a marca aparece bem mais fraca e deslocada enquanto Jack trabalha no rosto de Rose.

Existe ainda um detalhe que não chega a ser um erro, embora pareça bastante estranho depois que se conhece o segredo: aquelas mãos fazendo o desenho não pertencem a Leonardo DiCaprio.

São de James Cameron.

O diretor realmente fez os desenhos usados na produção. Como Cameron é canhoto e Jack deveria parecer destro, as imagens de suas mãos foram invertidas na pós-produção.

Isso explica também por que, em determinados enquadramentos fechados, as mãos parecem não combinar muito com as de Jack.

O misterioso desaparecimento do anel de Rose

Depois que Jack termina o retrato e Rose volta a se vestir, surge outra inconsistência. O anel de noivado que ela usava deixa de aparecer em sua mão esquerda.

O problema persiste em várias cenas posteriores. Em determinado momento durante o naufrágio, o filme chega a mostrar o anel sendo arrancado pelo movimento da água, embora Rose já estivesse sem ele em tomadas anteriores.

A falha é registrada entre os erros de continuidade catalogados do longa.

Jack conhecia um lago que ainda não existia

Os erros não estão restritos à montagem e aos objetos de cena.

Em uma conversa com Rose, Jack menciona o lago Wissota, em Wisconsin, ao lembrar experiências de sua juventude. O problema é cronológico: o Titanic afundou em 1912, enquanto o reservatório associado ao lago surgiu anos depois.

É um pequeno anacronismo escondido em uma fala aparentemente banal e que dificilmente seria percebido por alguém sem conhecimento específico da região. O caso é frequentemente apontado entre as imprecisões históricas presentes no roteiro.

Nem o céu escapou

Talvez a correção mais curiosa tenha ocorrido muitos anos depois da estreia.

Na cena em que Rose está à deriva no Atlântico após o naufrágio, o céu estrelado da versão original não correspondia ao que seria visível naquele local e naquela data. O astrofísico Neil deGrasse Tyson chamou a atenção de Cameron para o problema.

Cameron acabou pedindo os dados corretos e substituiu o céu em uma versão posterior do filme. Segundo Tyson, a imagem original apresentava ainda uma peculiaridade difícil de defender: uma metade do céu era praticamente o reflexo da outra.

É uma correção quase microscópica diante de uma produção com mais de três horas, mas combina bem com a fama de perfeccionismo do diretor.

Um navio cuidadosamente reconstruído, com algumas costuras visíveis

Existem outros deslizes espalhados pelo longa. Em uma cena, a parte externa do casco aparenta ter uma superfície moderna e soldada, enquanto o Titanic verdadeiro utilizava placas sobrepostas presas por rebites. Em outra, um garoto aparece brincando com um pião e repete o mesmo movimento quando a câmera muda de ângulo.

Há ainda falas cuja sincronia não coincide perfeitamente com os movimentos dos atores e objetos que mudam discretamente de posição entre tomadas.

Nada disso impediu que Titanic se tornasse um fenômeno. O filme custou cerca de US$ 200 milhões e, considerando suas diferentes exibições nos cinemas ao longo dos anos, ultrapassou US$ 2,26 bilhões em bilheteria mundial.

Talvez seja justamente a escala da produção que torne esses detalhes tão interessantes. Em meio a enormes cenários, centenas de figurantes, efeitos especiais e sequências complexas com água, alguns centímetros de vidro, uma marca de mão ou o reflexo de uma câmera conseguiram sobreviver até a versão que chegou aos cinemas.

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Gabriel Pietro

Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.

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