Durante décadas, Christina Applegate foi associada principalmente às comédias que a transformaram em um rosto conhecido da televisão americana. O público acompanhou sua ascensão ainda adolescente, seus trabalhos no cinema e participações premiadas em séries. Uma parte bem menos conhecida de sua vida, porém, começou a ganhar contornos mais claros em 2026, quando a atriz decidiu expor experiências dolorosas da infância em suas memórias.
Nascida em Los Angeles em 25 de novembro de 1971, Christina cresceu principalmente com a mãe, a atriz e cantora Nancy Priddy, após a separação dos pais. Seu pai, Bobby Applegate, ficou distante durante boa parte de sua infância. A casa onde vivia, na região de Laurel Canyon, estava inserida em um dos pontos mais conhecidos da cena artística e musical da cidade, mas o ambiente familiar era bastante instável.
No livro You With the Sad Eyes, lançado em março de 2026, Applegate revelou que sua mãe enfrentou dependência de heroína e manteve relacionamentos marcados pela violência. Segundo a atriz, ela própria acabou sendo vítima de algumas dessas situações. Em entrevista à People, contou ainda que sofreu abuso sexual cometido por uma babá quando tinha apenas cinco anos.
As revelações ajudam a explicar por que Applegate descreve os primeiros anos de vida com tanta dureza. Em suas memórias, ela recupera episódios registrados em diários que mantinha desde a adolescência e fala sobre uma infância cercada por drogas, adultos entrando e saindo de casa e pouca sensação de segurança.
O trabalho surgiu muito cedo nesse contexto. Christina fez sua primeira aparição na televisão ainda bebê, ao lado da mãe, em Days of Our Lives. Poucos anos depois, já aparecia em comerciais e começava a conquistar pequenos papéis. A atuação passou a ocupar um espaço cada vez maior em sua rotina e, segundo a própria descrição de sua trajetória no livro, tornou-se também uma forma de escapar da turbulência dentro de casa.
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Na infância e no início da adolescência, acumulou participações em produções para cinema e televisão. Até que, em 1987, aos 15 anos, conseguiu o papel que mudaria definitivamente sua carreira: Kelly Bundy, a filha adolescente da família de Married… with Children.
A série estreou na Fox naquele ano e se tornou um dos grandes sucessos da emissora. Applegate permaneceu no elenco até 1997. A personagem, construída como uma jovem bonita, provocadora e pouco interessada nos estudos, tornou a atriz instantaneamente reconhecível e marcou uma geração de espectadores. Fora das câmeras, entretanto, sua realidade era muito diferente daquela figura caricata exibida semanalmente na televisão.
A fama obtida com Kelly Bundy abriu caminho para uma carreira que continuaria ativa por décadas. Applegate assumiu o papel principal da série Jesse, trabalhou em filmes como The Sweetest Thing e Anchorman: The Legend of Ron Burgundy e apareceu como Amy Green, irmã de Rachel, em Friends. Essa participação lhe rendeu em 2003 o Primetime Emmy de melhor atriz convidada em série de comédia.
Mais tarde vieram produções como Samantha Who? e Dead to Me. Nesta última, lançada pela Netflix, Christina interpretou Jen Harding e recebeu novas indicações ao Emmy. Ao todo, a Academia de Televisão registra oito indicações e uma vitória da atriz na premiação.
A vida adulta, contudo, trouxe novos problemas de saúde. Em 2008, Applegate foi diagnosticada com câncer de mama e passou por uma mastectomia bilateral. Anos depois, em 2021, recebeu o diagnóstico de esclerose múltipla, doença que afeta o sistema nervoso central e provocou mudanças profundas em sua rotina e em sua capacidade física.
As limitações aumentaram durante as gravações da última temporada de Dead to Me. Em um relato publicado em 2026, Applegate contou que chegou a precisar da ajuda de três pessoas para descer as escadas de seu trailer e alcançar a cadeira de rodas usada para chegar ao set. A atriz também descreveu dores intensas, exaustão e dificuldades para executar tarefas simples dentro de casa.
A doença praticamente encerrou sua atuação diante das câmeras. Hoje, ela concentra parte de seu trabalho em projetos de voz e no podcast MeSsy, apresentado ao lado da atriz Jamie-Lynn Sigler, que também vive com esclerose múltipla.
Um dos aspectos que Applegate mais lamenta é a interferência da doença na convivência com a filha Sadie. Em 2026, contou que levá-la à escola continua sendo uma das atividades que tenta preservar, embora muitas vezes precise retornar para a cama logo depois por causa da dor e do cansaço.
O lançamento de You With the Sad Eyes colocou em perspectiva uma trajetória que o público conhecia principalmente por seus trabalhos na televisão e no cinema. O livro apresenta a infância marcada por abuso, dependência química dentro de casa e violência, além da relação complicada da atriz com a própria fama e dos efeitos da esclerose múltipla sobre sua vida atual.
Applegate descreveu as memórias como o relato de uma menina de “olhos tristes” que acabou se tornando Christina Applegate. Aos 54 anos, depois de uma carreira que começou quando ainda era bebê, o nome daquela menina já faz parte da história da televisão americana.
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