Eu sempre gostei de imaginar, após o término de algum relacionamento, o que eu faria se pudesse voltar no tempo e encontrar aquela pessoa novamente. Munida com a percepção completa de quem ela realmente é, logicamente. Pensei inúmeras vezes no que diria quando ouvisse algumas mentiras sabendo das verdades. Como me comportaria virando de costas para quem um dia me machucou, para virar de frente para mim.
Eu sempre gostei de sentar em um banco e ficar olhando a vida com a esperança de ter a chance de fazer diferente. Ontem, a vida me deu essa chance, e eu entendi que ela vai sempre colocar em nossos caminhos pessoas boas e pessoas exatamente iguais àquelas que nos causaram algum mal-estar no passado.
Por mais arrepiante que pareça, um certo dia você encontrará alguém idêntico àquela pessoa que tanto te decepcionou. Com as mesmas ideias, com o mesmo jeito, com a mesma aura. Algumas vezes essa pessoa nova terá, surpreendentemente, até o mesmo timbre de voz, a mesma altura e trejeitos.
Ontem, eu vivi aquela cena do filme “Comer, Rezar, Amar” na qual Elisabeth encontra na praia de Bali um rapaz bem mais jovem e ao ser convidada para nadar nega o convite dizendo: “Não, eu já te encontrei há alguns anos”.
Lembrei através de outro do meu primeiro namorado. De como ele foi desajeitado para mim até mesmo no abraço. Lembrei de como ele parecia ser sensível, sem o ser. Lembrei que ele não era para mim.
Ontem, eu entendi perfeitamente o que a personagem do filme quis dizer. Ela tinha crescido e se tornado mais sensata e carinhosa consigo mesma. Tinha aprendido com a dor e a vida lhe deu a chance de fazer diferente. A vida lhe deu a chance de trancar algumas portas antes que se escancarassem deixando o coração ventilado o suficiente para morrer de frio.
Ontem, a vida colocou em meu caminho uma pessoa em outra pessoa. A vida retornou aquilo que não foi bem resolvido. A vida deu-me a chance, libertadora, de fazer tudo diferente.
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Atribuição da imagem: pixabay.com – CC0 Public Domain
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