Viajante do vento
Pudera ser
Viajante do vento
Para fazer das veredas incertas
Um céu de estrada
Aprazível de caminhar.
Quisera na verdade
Ser o próprio vento –
Desejo pacóvio dirão
Os ajuizados sensatos
De pés no chão.
Direi, remansado
pela brisa acolhedora,
ser presente lisonjeiro
Mas não sendo afortunado
Pudera ser passageiro.
Viveria em bando
Como as gaivotas
E com elas, no mundo,
Daria mais de oitenta voltas.
Criança agraciada:
Bolinha de sabão
Aviãozinho de papel
[quote_box_right]”Se perguntarem por mim doravante
Diga sem peleja
“Tornou-se andante”
De pés no chão
No chão do céu
Pois aonde não me encontro
O vento sopra e me acha
Sopra forte –
Somente o vento forte
Põe a voar.”
Felipe Costa
[/quote_box_right]
Pipa empinada
Cabeça ao léu.
Padeço.
O vento, pérvio,
Agora obriga a parada:
Pés no chão,
Ajuizado tacanho,
Esperando a lufada.
Liberdade
Cor-de-nuvem,
Nuvem
Que faz morada no vento
E vive sempre em movimento.
Se perguntarem por mim doravante
Diga sem peleja
“Tornou-se andante”
De pés no chão
No chão do céu
Pois aonde não me encontro
O vento sopra e me acha
Sopra forte –
Somente o vento forte
Põe a voar.
Autor: Felipe Costa
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