Imagem de capa: David Pereiras/shutterstock
Muitas vezes, ficamos presos ao que pensávamos ser eterno, sem conseguirmos perceber que ciclos se fecham, que as pessoas mudam, os momentos se transformam e a vida tem que continuar, mesmo que no modo inverso ao de nossos desejos.
Muito difícil termos a noção exata do limite entre a insistência indigna e a tentativa necessária. Complicado percebermos quando ultrapassamos os limites de nossa dignidade, enquanto lutamos para manter conosco alguém que, às vezes, já nem está mais ali de fato há tempos. Isso porque existem rompimentos em que apenas uma das partes quer sair, mas a outra quer ficar a qualquer custo. E esse qualquer custo, infelizmente, tem um preço alto demais.
Separar-se dói, tanto para quem toma a decisão de terminar quanto para quem discorda dela. Muito provavelmente, ambos estarão tristes, porque um relacionamento envolve muito mais do que a vida dos dois, mas traz para junto de si outras pessoas, outras famílias, aumentando o peso daquilo que desaba. Não somente os parceiros se separam, porque cada um leva consigo muita gente, vários momentos, sentimentos, emoções. Mundos se dividem então.
Embora seja muito complicado conseguirmos controlar nossas ações em momentos turbulentos, como aqueles que compõem o processo de separação entre parceiros, teremos que tentar perceber o quanto a dor está nos afastando de nós mesmos, o quanto o ato de forçar a situação vai achatando a nossa dignidade, a ponto de nos tornarmos menos gente, menos humanos. Ninguém merece despojar-se de tudo o que é por conta de alguém que decidiu não mais ficar.
A rejeição é assim mesmo, ninguém parece estar pronto para enfrentá-la, porque a gente não consegue lidar com o fim de algo pelo que tanto se luta, em que tanto se acredita. Na maioria das vezes, ficamos presos ao que pensávamos ser eterno, sem conseguirmos perceber que ciclos se fecham, que as pessoas mudam, os momentos se transformam e a vida tem que continuar, mesmo que no modo inverso ao de nossos desejos.
Lógico que vai doer muito, que vai ser uma das piores travessias de nossas vidas, mas deixar de insistir em alguém que já está de malas prontas será o melhor que poderemos fazer a nós mesmos naquele momento, porque a dor da partida passará, mas uma cicatriz que se alimenta diariamente, enquanto mantemos à força alguém por perto, nunca para de sangrar. Muitas vezes, o que é melhor para as nossas vidas não é aquilo que queremos, mas aquilo que machuca menos. Optar por uma dor que o tempo cura será, então, o caminho.
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