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“Universitários têm hoje cerca de 40% menos empatia do que seus colegas de 20 ou 30 anos atrás”

O pesquisador Konrath , da University of Michigan Institute, descobriu que os níveis de empatia (medidos pelo Índice de Reatividade Interpessoal) reportados por estudantes universitários estiveram em constante declínio nas prévias três décadas — de fato, desde a inauguração da escala, em 1979.

Uma queda acentuada foi observada nos últimos dez anos. “Os universitários hoje têm cerca de 40% menos empatia do que seus colegas de vinte ou trinta anos atrás”, reporta Konrath.

Ainda mais preocupante, de acordo com Jean Twenge, professor de psicologia na Universidade de San Diego, é o fato de, no mesmo período, o nível relatado de narcisismo dos estudantes ter caminhado na direção oposta. Eles dispararam até o teto.

“Muitas pessoas veem o corrente grupo de estudantes universitários, às vezes chamados de ‘Geração Eu’”, comenta Konrath, “como uma das mais autocentradas, narcisistas, competitivas, autoconfiantes e individualistas da história recente.”

(…)

Uma concatenação complexa entre ambiente, exemplo e educação é a suspeita de sempre. Mas o início de uma resposta ainda mais fundamental pode estar em outro estudo conduzido por Jeffrey Zacks e sua equipe no Laboratório de Cognição Dinâmica da Universidade de Washington, em St. Louis.

Com a ajuda da ressonância magnética funcional, Zacks e seus coautores examinaram em profundidade o cérebro de voluntários enquanto liam histórias. Suas descobertas fornecem um interessante insight sobre a maneira como nossos cérebros constroem a noção de nós mesmos. Mudanças no cenário dos personagens (por exemplo, “saiu de casa e foi para a rua”) estão associadas a um aumento de atividade nas regiões dos lobos temporais envolvidas na orientação espacial e na percepção, enquanto mudanças nos objetos com os quais o personagem interage (por exemplo, “pegou um lápis”) produzem um aumento similar na região dos lobos frontais que controlam os movimentos de segurar. Ainda mais importante: mudanças no objetivo do personagem provocam elevada ativação das áreas do córtex pré-frontal. Danos nessas áreas resultam em prejuízo da compreensão da ordem e estrutura das ações planejadas e intencionais. Parece que imaginar realmente faz acontecer. Sempre que lemos uma história, nosso nível de envolvimento é tal que “mentalmente simulamos cada uma das novas situações encontradas na narrativa”, de acordo com o estudo liderado pela pesquisadora Nicole Speer. Nossos cérebros então entrelaçam essas recém-encontradas situações com o conhecimento e a experiência adquiridos em nossas próprias vidas e criam um mosaico orgânico de sínteses mentais dinâmicas.

Ler um livro cria novos caminhos neurais no leito cortical de nossos cérebros. Transforma a maneira como vemos o mundo e nos torna, como disse Nicholas Carr em seu recente ensaio “The Dreams of Readers”, “mais alertas para a vida interior das outras pessoas”.Tornamo-nos vampiros sem termos sido mordidos. Em outras palavras, mais empáticos. Os livros nos fazem ver de um modo que a imersão casual na internet, e o mundo virtual de respostas super-rápidas que ela oferece, não faz.

***

Com informações de “A Sabedoria dos Psicopatas“, livro de Kevin Dutton.

Editorial CONTI outra

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