Psicologia e comportamento

Traumas infantis podem gerar danos por toda a vida adulta

Crianças que apanharam, passaram fome ou foram abandonadas têm uma tendência a sofrer traumas emocionais tão severos que podem afetar o crescimento de seus corpos e cérebros.

Esses traumas, se não tratados corretamente, causam problemas de saúde perenes. Um tratamento específico para essas aflições nem sempre é realizado, deixando essas crianças vulneráveis a diagnósticos errados de doença mental ou de hiperatividade quando, na realidade, estão demonstrando estresse pós-traumático.

Como resultado, essas crianças são mais propensas a desenvolver depressão a longo prazo e até doenças do coração ou câncer. Algumas recebem drogas de que nem sempre precisam. “O que emergiu dos últimos 15 anos de pesquisas científicas é que, quando se negligencia o abuso a uma criança, isso realmente muda sua organização cerebral”, afirma o coordenador do programa de apoio a crianças sob risco do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos
Estados Unidos, Bryan Samuels.

O mecanismo tem muito a ver com os níveis de hormônio, que podem subir perigosamente durante o abuso. Altos níveis de cortisol, por exemplo, afetam o controle dos impulsos e a memória. Um estresse elevado também pode prejudicar o córtex pré-frontal, região do cérebro que regula o foco, o autocontrole e a tomada de decisões. Esses níveis podem permanecer altos mesmo depois que as vítimas são removidas das situações que lhes fazem mal.

Isso significa que tratar essas crianças frequentemente requer mais do que colocá-las em um ambiente estável. Os médicos precisam avaliar seu desenvolvimento físico, enquanto conselheiros revisam os padrões e a severidade do abuso sofrido para desenvolver uma combinação a longo prazo de cuidados médicos e psicológicos. Em vez disso, muitas são tratadas como “crianças más”.

Quanto mais complexo o abuso, mais provável é que o impacto negativo siga a criança até a vida adulta, de acordo com um estudo do Kaiser Permanente e do Centro de Controle e Prevenção de Doenças.

A situação se complica ainda mais porque o ciclo do abuso é difícil de ser quebrado. As estatísticas mostram que quase um terço das vítimas abusará de seus próprios filhos.

Traduzido por Raquel Sodré

 

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