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Traumas, apenas me ensinem. Nada mais.

Sim, já sofri traumas, mas eles também sofreram comigo, já que não me deixei acorrentar e fiz de tudo para afastá-los da minha vida.

Traumas são murros. Nunca chegam sutilmente, nem se motivam facilmente a deixar o cenário. Traumas são roxos, fúnebres, com olheiras profundas e se alimentam da vida alheia.

São bichos chifrudos, que ao menor toque já machucam, rasgam, provocam feridas profundas. Os traumas são uma total e verdadeira maldade. Dardos afiados.

Não sei dizer ao certo se há cura para todos, mas afirmo categoricamente que a luta nunca é inútil. Já saí no tapa com muito trauma, já levei rasteiras, socos no estômago, fui esganada, mas também já eliminei muitos deles, total e definitivamente da minha vida.

A briga é feia, mas a razão é justa. Sobrevivência. Ninguém deveria se submeter às consequências de um trauma, quase sempre plantado à sua revelia, provocado por quem acha que as coisas da vida não voltam, por irresponsabilidade, crueldade, ignorância ou somente pelo acaso.

O acaso, aquela hora errada, lugar errado, companhias erradas. O acaso é um coitado, culpado de um oceano de traumas. – Melhor ter algo para culpar…

Esta semana fomos assaltados. Ou melhor, minha filha foi abordada, a mão armada. Tive que assistir, estática, parada, respirando o mínimo, para não piorar a situação. Meu maior tesouro em perigo.

Nada sofremos, só foi embora o que não é essencial para a nossa vida, mas, e não é pensamento para ignorar, um acaso, uma estatística, um azar a mais na cidade onde vivemos, poderia se tornar um trauma.

Mas, para minha imensa sorte e constatação, a filha que ainda penso ser frágil e desprotegida, tem a mesma relação com os traumas que eu costumo ter, ou seja, uma vida onde eles não são bem-vindos, onde a saúde mental e a crença nas boas realizações superam qualquer trauma, derrotam qualquer pessimismo, e mandam para o inferno as sensações infernais que costumamos sentir, quando dominados por traumas e pânicos indesejados.

Emilia Freire

Administradora, dona de casa e da própria vida, gateira, escreve com muito prazer e pretende somente se (des)cobrir com palavras. As ditas, as escritas, as cantadas e até as caladas.

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