Quando alguém morre sozinho, sem filhos e sem cônjuge, o luto costuma dividir espaço com uma pergunta bem prática: “quem responde por isso agora?”. No caso do médico Miguel Abdalla Netto, essa resposta virou disputa — e começou antes mesmo do sepultamento.
Miguel, de 76 anos, foi encontrado morto dentro de casa no Campo Belo, na zona sul de São Paulo.
A ocorrência foi registrada como morte suspeita no 27º DP (Campo Belo), e a Polícia Civil aguarda perícia para esclarecer as circunstâncias do óbito. Segundo a PM, não havia sinais aparentes de violência no local.
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Com a investigação em andamento, surgiu também o embate familiar: Miguel não deixou filhos e, de acordo com reportagens, os parentes consanguíneos mais próximos seriam Suzane e Andreas von Richthofen.
Nesse cenário, a tentativa de Suzane de liberar o corpo na delegacia chamou atenção porque, além de permitir o sepultamento, o ato pode abrir caminho para a nomeação de inventariante — a pessoa que administra os bens no início do inventário.
A polícia negou o pedido, e ela entrou com solicitação na Justiça para tentar reverter a decisão.
O patrimônio em disputa é estimado em cerca de R$ 5 milhões, com imóveis no Campo Belo e um sítio no litoral paulista, segundo as publicações.
A própria possibilidade de herança, porém, depende de fatores que ainda não estão fechados: existência de testamento, decisões judiciais e, principalmente, os próximos passos do inquérito sobre a morte.
Há ainda um elemento que elevou a tensão: a casa onde Miguel foi encontrado chegou a ter o portão pichado com a frase “Será que foi a Suzane?” — algo tratado como especulação e vandalismo no local, sem apontamento oficial de autoria ou relação com o caso.
Nos bastidores, a briga tem um histórico jurídico pesado. Reportagens lembram que, após o assassinato dos pais de Suzane, Miguel teria acionado a Justiça para que ela fosse considerada indigna de herdar, e o patrimônio acabou ficando com Andreas.
Agora, com a morte do tio, o conflito reaparece em outro inventário — e com uma investigação policial em aberto.
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