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EMDR para brasileiros no exterior: por que nunca é tarde para tratar traumas antigos

Morar em outro país pode representar uma conquista importante, mas também pode fazer com que antigas feridas emocionais voltem a ocupar espaço na vida. Longe da família, dos amigos, da cultura e até da própria língua, muitos brasileiros no exterior percebem que experiências difíceis do passado continuam influenciando emoções, relacionamentos e comportamentos no presente.

É justamente nesse contexto que a terapia EMDR para brasileiros no exterior pode se tornar uma alternativa importante. E existe um ponto que merece destaque: não há uma idade limite para começar a trabalhar traumas antigos.

Experiências vividas há dez, vinte, quarenta ou até mais anos podem continuar emocionalmente ativas. O fato de algo ter acontecido há muito tempo não significa necessariamente que o cérebro conseguiu elaborar completamente aquela experiência.

O que é a terapia EMDR?

EMDR é a sigla para Eye Movement Desensitization and Reprocessing, geralmente traduzida como Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares.

Trata-se de uma abordagem psicoterapêutica desenvolvida originalmente para o tratamento de experiências traumáticas e posteriormente aplicada a diferentes situações relacionadas a lembranças perturbadoras, ansiedade, medos e sofrimento emocional.

Durante o processo terapêutico, o profissional utiliza protocolos específicos e formas de estimulação bilateral enquanto determinadas lembranças, pensamentos, emoções e sensações são trabalhados.

O objetivo não é apagar aquilo que aconteceu. Nenhuma terapia possui uma borracha mágica para a história humana, por mais conveniente que isso fosse.

A proposta do EMDR é favorecer o reprocessamento das experiências, permitindo que determinadas lembranças deixem de provocar o mesmo nível de sofrimento emocional.

A pessoa continua sabendo o que viveu, mas aquela experiência pode passar a ocupar um lugar diferente em sua história.

Traumas antigos podem continuar presentes durante décadas

Existe uma ideia equivocada de que o tempo, sozinho, resolve todo sofrimento emocional.

Nem sempre.

Uma pessoa pode construir uma carreira, formar uma família, mudar de país e aparentemente seguir normalmente com sua vida enquanto determinadas experiências continuam exercendo influência silenciosa sobre suas emoções.

Entre elas podem estar:

  • rejeições vividas durante a infância;
  • abandono emocional;
  • perda de familiares;
  • separações traumáticas;
  • relacionamentos abusivos;
  • episódios de violência;
  • bullying;
  • humilhações;
  • acidentes;
  • problemas familiares;
  • experiências de negligência;
  • situações de medo intenso.

Algumas dessas lembranças podem permanecer associadas a sentimentos como vergonha, culpa, insegurança, medo ou sensação de inadequação.

Por isso, determinados acontecimentos atuais podem despertar emoções muito maiores do que a própria situação aparentemente justificaria.

Em alguns casos, o presente apenas acionou algo que ainda estava emocionalmente ligado ao passado.

Existe idade limite para fazer EMDR?

Não existe uma idade máxima estabelecida para que alguém procure psicoterapia e trabalhe experiências traumáticas.

O tratamento deve sempre ser avaliado individualmente pelo profissional, levando em consideração características emocionais, cognitivas, físicas e a história de cada paciente.

Mas envelhecer não significa perder automaticamente a capacidade de elaborar experiências emocionais.

Uma pessoa pode chegar aos 50, 60, 70 anos ou mais e perceber que determinadas situações vividas décadas antes continuam incomodando.

E não existe obrigação alguma de aceitar esse sofrimento apenas porque “já passou muito tempo”.

Na verdade, algumas pessoas só conseguem olhar para determinados acontecimentos depois de muitos anos.

Durante grande parte da vida, talvez tenham precisado estudar, trabalhar, criar filhos, cuidar de familiares, enfrentar problemas financeiros ou simplesmente sobreviver.

Quando finalmente encontram mais espaço emocional para olhar para si mesmas, antigas questões podem surgir.

Por que morar no exterior pode despertar traumas antigos?

A experiência da imigração envolve muito mais do que aprender outro idioma ou descobrir onde comprar determinados produtos brasileiros sem precisar hipotecar metade do salário.

Mudar de país pode provocar alterações profundas na identidade e nas relações sociais.

O brasileiro que vive no exterior pode enfrentar:

  • solidão;
  • saudade da família;
  • dificuldade de adaptação cultural;
  • sensação de não pertencimento;
  • barreiras linguísticas;
  • preconceito;
  • dificuldade para construir novas amizades;
  • mudanças profissionais;
  • perda da rede de apoio;
  • relacionamentos interculturais;
  • pressão para demonstrar que a mudança “deu certo”.

Essas situações podem aumentar a vulnerabilidade emocional.

Em alguns casos, sentimentos provocados pela vida no exterior se conectam a experiências muito anteriores.

Uma pessoa que viveu abandono na infância, por exemplo, pode perceber emoções intensas diante da solidão provocada pela imigração.

Alguém que cresceu sentindo que precisava provar constantemente o próprio valor pode enfrentar sofrimento significativo ao começar profissionalmente do zero em outro país.

O acontecimento atual pode ser novo, mas a emoção associada a ele pode ser antiga.

Por que fazer terapia em português mesmo morando fora do Brasil?

Para muitos brasileiros, falar sobre experiências profundas no próprio idioma facilita o processo terapêutico.

Uma pessoa pode dominar inglês, espanhol, francês, alemão ou qualquer outra língua e ainda assim perceber que determinadas memórias estão profundamente ligadas ao português.

Isso ocorre especialmente quando as experiências aconteceram durante a infância ou adolescência.

Expressões familiares, lembranças, situações específicas e determinadas emoções podem ser acessadas com mais naturalidade na língua materna.

Por isso, a possibilidade de realizar terapia online com psicólogo brasileiro tornou o acompanhamento psicológico mais acessível para quem vive fora do país.

O paciente pode morar nos Estados Unidos, Canadá, Portugal, Irlanda, Inglaterra, Alemanha, França, Austrália, Japão ou em qualquer outra região e, dependendo das condições profissionais e regulatórias aplicáveis ao atendimento, realizar sessões pela internet.

Terapia EMDR online funciona?

O EMDR também pode ser realizado na modalidade online quando existe indicação adequada e o profissional possui capacitação para conduzir o atendimento dessa forma.

O ambiente virtual exige organização e alguns cuidados.

Normalmente é importante que o paciente tenha:

  • conexão de internet estável;
  • ambiente privado;
  • computador, tablet ou celular adequado;
  • fones de ouvido quando necessário;
  • condições para participar da sessão sem interrupções.

Antes de iniciar o trabalho com determinadas memórias, o psicólogo também pode avaliar recursos emocionais, estratégias de estabilização e a preparação necessária para cada pessoa.

O tratamento não começa simplesmente escolhendo a lembrança mais dolorosa e mergulhando nela. Psicoterapia responsável costuma ser um pouco mais sofisticada do que essa versão cinematográfica.

EMDR não significa esquecer aquilo que aconteceu

Essa é uma dúvida frequente.

O objetivo do EMDR não é eliminar a memória.

Depois do tratamento, a pessoa ainda pode se lembrar perfeitamente do acontecimento.

A diferença esperada é que aquela lembrança possa deixar de provocar a mesma intensidade de sofrimento.

Imagine uma experiência que aconteceu há décadas, mas que ainda provoca aperto no peito, raiva, medo ou vontade de chorar quando é lembrada.

Depois de um processo terapêutico adequado, aquela memória pode continuar existindo, porém sendo percebida de maneira mais integrada:

“Isso aconteceu comigo, faz parte da minha história, mas não precisa continuar comandando minha vida.”

Essa mudança pode ser extremamente significativa.

Trauma não precisa significar apenas acontecimentos extremos

Quando ouvimos a palavra trauma, muitas pessoas imaginam imediatamente guerras, acidentes graves ou situações de violência extrema.

Esses acontecimentos certamente podem provocar traumas.

Mas o sofrimento psicológico também pode estar relacionado a experiências menos óbvias.

Uma infância marcada por críticas constantes, por exemplo, pode contribuir para crenças como:

“Eu nunca sou bom o suficiente.”

“Preciso agradar todo mundo.”

“Se eu cometer um erro, as pessoas vão me abandonar.”

“Não posso confiar em ninguém.”

“Preciso controlar tudo para estar seguro.”

Essas crenças podem acompanhar a pessoa durante décadas e aparecer novamente em relacionamentos, no trabalho ou durante a experiência de morar em outro país.

Brasileiros mais velhos também podem trabalhar experiências do passado

Existe uma geração de brasileiros que cresceu em uma época na qual terapia era pouco discutida ou até vista com preconceito.

Muitas pessoas simplesmente aprenderam a guardar sentimentos.

Frases como “isso é coisa do passado”, “não pense nisso” ou “você precisa ser forte” eram extremamente comuns.

Por isso, alguém pode chegar à maturidade carregando experiências nunca elaboradas emocionalmente.

Fazer terapia aos 60 ou 70 anos não significa permanecer preso ao passado.

Em muitos casos, significa justamente o contrário: decidir que o passado não precisa ocupar tanto espaço nos anos que ainda estão pela frente.

A importância de procurar um profissional especializado

O EMDR utiliza protocolos específicos e deve ser conduzido por profissional qualificado.

Além da formação em Psicologia, é importante buscar alguém que tenha capacitação adequada na abordagem e experiência compatível com as necessidades do paciente.

Para brasileiros que vivem fora do país, também pode ser útil procurar profissionais acostumados a trabalhar com questões relacionadas à imigração, adaptação cultural, distância da família e identidade.

Entre os profissionais brasileiros que atuam nessa área está a psicóloga Josie Conti, que trabalha com terapia online e EMDR e realiza atendimentos voltados também para brasileiros que vivem no exterior.

Esse tipo de experiência pode facilitar a compreensão de questões que misturam histórias pessoais antigas com os desafios específicos de construir uma vida longe do Brasil.

Quando procurar ajuda?

Não é necessário esperar uma crise grave.

Pode ser interessante buscar acompanhamento psicológico quando determinadas lembranças continuam provocando sofrimento ou quando padrões emocionais repetitivos começam a prejudicar diferentes áreas da vida.

Alguns sinais podem incluir:

  • lembranças recorrentes;
  • medo excessivo em determinadas situações;
  • sentimento constante de culpa;
  • vergonha relacionada ao passado;
  • dificuldade para confiar nas pessoas;
  • padrões repetitivos nos relacionamentos;
  • ansiedade;
  • sensação permanente de inadequação;
  • reações emocionais muito intensas diante de situações específicas;
  • dificuldade para falar sobre determinados acontecimentos.

A avaliação de um profissional pode ajudar a compreender se essas dificuldades estão relacionadas a experiências traumáticas e qual abordagem terapêutica pode ser mais adequada.

Nunca é tarde para cuidar da própria história

Morar em outro país frequentemente significa começar muitas coisas novamente.

Nova casa. Nova rotina. Novos amigos. Às vezes até uma nova profissão.

Talvez também possa representar uma oportunidade de olhar de maneira diferente para experiências antigas.

Traumas não desaparecem necessariamente porque décadas se passaram, mas isso também significa que o calendário não determina até quando alguém pode procurar ajuda.

Aos 30, 40, 50, 60, 70 anos ou mais, experiências difíceis podem ser revisitadas dentro de um ambiente terapêutico seguro e profissional.

A terapia EMDR pode ser uma das possibilidades para esse processo.

Para brasileiros que vivem no exterior, a terapia online ainda oferece a vantagem de realizar esse acompanhamento em português, mantendo uma conexão importante com a própria cultura e com a maneira particular pela qual cada pessoa aprendeu a compreender e expressar suas emoções.

O passado não pode ser alterado.

Mas a forma como ele continua sendo vivido no presente pode mudar.

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