Marcel Camargo

Quando se perde a confiança, nada volta a ser como antes

A confiança é algo que demora a ser firmado, pois depende da passagem do tempo e de como se desenvolvem os relacionamentos, sejam amorosos, trabalhistas ou de amizade. Confiar em alguém nos deixa mais seguros, uma vez que temos, então, ao menos uma pessoa com quem poderemos dividir o nosso melhor e o nosso pior, o que é muito importante em nossas vidas. Infelizmente, enquanto a confiança demora para ser adquirida, perdê-la pode ser muito rápido.

Para nós, a amizade pode ser uma das coisas mais importantes, mas muitos não pensam dessa forma. Existem pessoas que parecem resistir à proximidade, a uma cumplicidade forte, em que valores devem ser sustentados, como o respeito e a manutenção de confissões pessoais, por exemplo. Por isso é que, muitas vezes, somos surpreendidos com atitudes que jamais esperávamos, vindas de quem nos era por demais querido e estimado.

Outras vezes, recebemos o que jamais imaginávamos de um colega de trabalho em quem depositávamos uma confiança absurda. Quantos de nós já não fomos acusados de algo que se deixou de fazer, de algum prazo que não se cumpriu, de algum erro no serviço, por conta de uma fofoca mentirosa plantada justamente por quem se dizia amigo de fato? Para muitos, galgar degraus no trabalho é o que importa, mesmo às custas de pisar qualquer um.

E, quando perdemos a confiança no parceiro, a dor é avassaladora. Seja por conta de uma traição, de palavras cortantes ou de atitudes inesperadas, deparar-se com a decepção justo com a pessoa que abraçamos de corpo e alma, com quem nos abrimos em todos os sentidos, retira-nos o ar, o chão, o sonho de uma vida a dois, íntegra e ética. Tudo fica nebuloso e a hipótese de dar ou não outra chance mina as nossas emoções, quebra-nos por dentro.

É certo que muitos aprendem com os erros e não voltam a repeti-los, ou seja, pode valer a pena perdoar e tentar de novo, e isso só quem está ali dentro dos sentimentos é que sabem. Ainda assim, a perda da confiança é algo que jamais passará em vão, porque nenhum dos envolvidos voltará a ser igual e nada será como antes. Cada um é que terá de lidar com a própria escolha, tendo consciência de que demora muito voltar a confiar – e nem sempre voltamos.

Imagem de capa: franz12/shutterstock

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar". É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.

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