“A poesia não é algo que se possa incorporar com os olhos sujos de realidade”. Manoel de Barros
A poética de Manoel de Barros inspira ternura. O ser em estado primevo, admite transformar-se na coisa e a coisa convocada à existência é marca dessa poesia que restabelece em nós a pureza e a graciosidade peculiar que só é encontrada na fluidez da infância, onde os olhos são iscas e lupas de transver, cativados para a “eterna novidade do mundo”.
Se não é possível rebobinar o tempo e novamente ancorar-se às margens de uma realidade sublime que desvende o ser em seu estado legítimo de sabedoria, é possível ainda promover uma caça às borboletas e vaga-lumes que há muito deixaram de brilhar no horizonte esmaecido de nossa existência.
O aprendizado que parece brincadeira de criança tem o dom de reverberar e alcançar as mais profundas camadas lá naquele cantinho que a alma, às vezes, usa para se recolher das maldades do mundo.
Outro dia, relendo a poesia de Manoel, tomei aquele susto bom de estar em contato com uma beleza misteriosa, que dói mas sabe curar. Li com a voz embargada e as lágrimas dançando na face, “E, aquele que não morou nunca em seus próprios abismos nem andou em promiscuidade com os seus fantasmas, não foi marcado. Não será exposto às fraquezas, ao desalento, ao amor, ao poema”. A moradia nos interstícios da alma, que muitas vezes se ressente, a descida aos infernos de si mesmo, o movimento em eterna espiral (a catábase), às vezes nos coloca defronte das verdades que costumamos esconder, é o que nos restaura e torna sensível à densidade da palavra, ao abraço prolongado do poema, que pode ser o refúgio mais confortável quando tudo desaba e ficamos sem o sustentáculo das certezas.
“Poesia não é para compreender, mas para incorporar. Entender é parede; procure ser árvore”. A incorporação desse coro de vozes, que planta em nós a semente da renovação é regada pela forma graciosa com que se pinça os elementos da natureza, desvelando uma geopoética que nos aproxima de tudo que é mais singelo em nós. Quando entramos em contato com a poesia de Manoel, sentimos que a terra é o elemento que além de resgatar a nossa meninice, nos devolve a humanidade; a mania de andar com os pés nus, a predileção pelos “vazios” tão cheios de mistério, o quintal que se abre para as descobertas, “o menino que carrega água na peneira” nos ensina que a poesia não é algo que se possa incorporar com os olhos sujos de realidade.
Uma antiga construção de pedra, uma roda de moinho movimentada pela água e um riacho…
Uma imagem aparentemente simples, formada por silhuetas de cães em preto e branco, está desafiando…
Ao separar os cabelos de uma criança, encontrar um pequeno animal preso ao couro cabeludo…
Uma ilustração em preto e branco, aparentemente simples, esconde um detalhe que pode passar despercebido…
Em 1º de setembro de 2026, Barry Gibb teve dois motivos especiais para comemorar: completou…
Aos 21 anos, Lucas Martin havia acabado de concluir a faculdade na Universidade de Liverpool,…