Uma cicatriz deixada por uma cirurgia pode carregar significados que vão muito além do procedimento médico, especialmente quando o paciente é uma criança. Foi isso que aconteceu com Gabriel Marshall, um menino do Kansas, nos Estados Unidos, que passou por uma operação após receber o diagnóstico de um raro tumor cerebral maligno.
Gabriel foi diagnosticado em março de 2015 com astrocitoma anaplásico. Ele tinha seis anos na época. A cirurgia para retirar o tumor deixou uma grande cicatriz curva no lado direito de sua cabeça, acima da orelha. Quando o caso ganhou repercussão internacional, em 2016, o garoto já estava com oito anos.
O tratamento trouxe uma preocupação que seu pai, Josh Marshall, não esperava enfrentar daquela forma. Gabriel ficou muito incomodado com a própria aparência e passou a se sentir constrangido com os olhares dirigidos à marca da cirurgia. Segundo Josh contou à imprensa na época, o menino chegou a dizer que se sentia como um “monstro”.
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Josh decidiu então fazer algo bastante incomum. Raspou a cabeça e procurou um tatuador para reproduzir na própria pele o formato da cicatriz do filho, praticamente no mesmo ponto. A tatuagem foi feita em agosto de 2015. A intenção era simples: Gabriel não precisaria mais lidar sozinho com aquilo que tanto o incomodava.
Ao explicar sua decisão, o pai contou que disse ao filho que, se as pessoas quisessem olhar para a cicatriz, poderiam olhar para os dois. O gesto teve o efeito desejado. Em entrevista à revista SELF, Josh afirmou posteriormente que Gabriel recuperou parte da confiança e passou a encarar com mais naturalidade a marca deixada pela operação. O menino chegou a brincar que os dois agora pareciam gêmeos, embora a cicatriz verdadeira fosse a dele.
Meses depois, uma fotografia dos dois exibindo as marcas ganhou grande repercussão. Josh inscreveu a imagem no #BestBaldDad, concurso promovido pela St. Baldrick’s Foundation, organização dedicada ao combate ao câncer infantil. A foto recebeu mais de 5 mil votos e ficou em primeiro lugar na edição realizada em 2016.
Naquele período, as notícias sobre a saúde de Gabriel também eram animadoras dentro das circunstâncias. Os exames mostravam que ele estava estável e havia deixado o tratamento havia alguns meses, embora ainda restasse uma pequena parte do tumor no cérebro. Josh contou que os exames de acompanhamento não indicavam crescimento dessa área.
A fotografia acabou circulando pelo mundo justamente por registrar, de maneira bastante direta, o motivo da tatuagem: ao lado da cicatriz que Gabriel recebeu durante uma fase delicada do tratamento, estava a marca que o pai escolheu carregar voluntariamente.
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