O caso do padre Luciano Braga Simplício saiu da pequena Nova Maringá, em Mato Grosso, e virou um daqueles episódios que atravessam grupos de WhatsApp, programas de TV, portais de notícia e redes sociais em poucas horas.
Meses depois do vídeo que o mostrou com a noiva de um fiel dentro da casa paroquial, o religioso agora tenta virar o jogo no tribunal — e quer que a Justiça mande apagar o rastro digital da história.
Luciano entrou com uma ação contra Globo, Record e SBT, acusando as emissoras de terem alimentado um “linchamento virtual” contra ele ao exibirem reportagens e vídeos sobre o flagrante. No processo, o padre pede a retirada dos conteúdos do ar e uma indenização de R$ 300 mil por danos morais.
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A defesa do sacerdote afirma que a repercussão do caso prejudicou sua rotina, sua imagem e seu trabalho religioso. Segundo os advogados, Luciano não consegue mais circular pela cidade ou exercer suas atividades sem ser confrontado por comentários sobre o episódio.
Em um dos trechos mais comentados da ação, a defesa sustenta que ele passou a ter uma “vida ruim” por causa da exposição em massa de um suposto mal-entendido. A frase chamou atenção porque o padre tenta se colocar como vítima da repercussão depois de um episódio que, desde o início, gerou enorme cobrança pública.
O caso teve um primeiro desdobramento favorável ao religioso. A 2ª Vara de Justiça de São José de Rio Claro, em Mato Grosso, chegou a determinar em liminar que as emissoras apagassem vídeos relacionados ao caso e deixassem de divulgar novas informações sobre o padre.
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A Globo recorreu da decisão, argumentando que a ordem feria a liberdade de imprensa e poderia configurar censura prévia. O desembargador Ricardo Gomes de Almeida, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, acolheu o recurso e derrubou a liminar em relação à emissora.
Com isso, a disputa segue em andamento. O mérito do processo ainda não tem data para ser julgado de forma definitiva. Até agora, as emissoras informaram que não comentam ações judiciais em curso. A defesa do padre também não se manifestou sobre os desdobramentos mais recentes.
O vídeo que deu origem ao caso viralizou em outubro de 2025. As imagens foram gravadas dentro da casa paroquial de Nova Maringá, cidade localizada a cerca de 392 quilômetros de Cuiabá, e mostravam o padre na companhia da jovem, que era noiva de um fiel.
Na época, também circularam áudios atribuídos a Luciano, nos quais ele negava qualquer envolvimento amoroso ou sexual com a mulher. Segundo a versão do religioso, a jovem havia trabalhado na paróquia pela manhã e pediu para usar o banheiro de um quarto anexo para tomar banho.
Ainda de acordo com o relato do padre, como o noivo da jovem estava viajando, ele teria permitido o uso do espaço. Luciano afirmou que estava tomando banho quando ouviu barulhos e, ao sair, encontrou a mulher assustada dentro da casa. Ele sustentou que “não teve nada” entre os dois.
A Diocese de Diamantino, responsável pela paróquia da região, informou em nota assinada pelo bispo dom Vital Chitolina que tomou conhecimento do caso e que as medidas canônicas cabíveis estavam sendo adotadas.
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