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O zoológico do macaco “Punch” responde às acusações de que ele sofre assédio constante

Um pequeno macaco japonês, um orangotango de pelúcia quase do tamanho dele e uma sequência de vídeos publicados nas redes sociais foram suficientes para transformar Punch em um dos animais mais comentados da internet em 2026. A exposição, porém, trouxe um problema inesperado para o zoológico onde ele vive: milhares de pessoas passaram a acompanhar cada interação do filhote com os outros macacos e a interpretar algumas delas como episódios de agressão e “bullying”.

Punch nasceu em 26 de julho de 2025 no Jardim Zoológico e Botânico da cidade de Ichikawa, na província de Chiba, próxima a Tóquio. Pouco depois do nascimento, ele foi rejeitado pela mãe e precisou ser criado pelos tratadores. Para suprir a necessidade natural que filhotes de macacos têm de se agarrar à mãe, a equipe testou toalhas e diferentes bichos de pelúcia até escolher um orangotango de brinquedo, com pelos longos e vários pontos onde o pequeno animal conseguia se segurar.

As imagens de Punch carregando e abraçando o brinquedo conquistaram público em vários países. A situação, entretanto, ganhou outro tom quando começaram a circular vídeos mostrando suas tentativas de aproximação com outros integrantes do grupo.

A difícil adaptação de Punch ao grupo

A intenção dos tratadores sempre foi fazer com que Punch pudesse viver junto aos outros macacos japoneses. Durante os primeiros meses, sua aproximação aconteceu gradualmente. Por volta dos três meses de idade, ele já conseguia ter contato com integrantes do grupo através de grades. Depois dos quatro meses, passou a entrar no recinto acompanhado pelos cuidadores.

Em 19 de janeiro de 2026, o zoológico iniciou sua integração efetiva ao grupo. Antes disso, Punch havia passado algum tempo com uma fêmea jovem que reagia bem à presença dele, o que ajudou a equipe a avaliar que o filhote poderia começar a conviver com os demais sem a presença constante de humanos.

Foi justamente durante essa fase que alguns vídeos preocuparam seus seguidores. Em um deles, gravado aparentemente em 19 de fevereiro, Punch se aproxima de outro filhote. Depois que o pequeno macaco se afasta, um adulto aparece e arrasta Punch por alguns instantes.

Segundo os tratadores, o adulto provavelmente era a mãe do filhote abordado e teria reagido ao perceber a aproximação de Punch. A equipe informou ainda que, pouco depois do episódio, ele voltou a interagir normalmente com outros animais e apresentou comportamento habitual durante os horários de alimentação daquele dia.

Ainda assim, as imagens continuaram circulando, e novos vídeos fizeram crescer a percepção de que Punch estaria sendo perseguido pelos integrantes de seu grupo.

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Zoológico diz que comportamento faz parte da hierarquia dos macacos

Diante da quantidade de mensagens recebidas do Japão e de outros países, o zoológico divulgou em 10 de março uma manifestação específica sobre os vídeos que mostrariam Punch sendo “maltratado”.

A instituição explicou que grupos de macacos japoneses possuem uma estrutura social hierárquica rígida e que indivíduos dominantes podem repreender animais em posições inferiores. De acordo com a equipe, essas interações não devem ser interpretadas automaticamente segundo conceitos humanos de abuso ou perseguição. O zoológico ressaltou ainda que os episódios não acontecem durante todo o dia e que Punch passa boa parte do tempo tranquilamente.

Especialistas em primatas consultados pela Smithsonian Magazine apresentaram uma avaliação semelhante. Sarah Turner, primatóloga da Universidade Concordia, e Kristin Sabbi, de Harvard, explicaram que algum nível de agressividade faz parte das relações sociais dos macacos japoneses. No caso de Punch, a ausência da mãe pode tornar sua adaptação especialmente complicada, já que ela normalmente funcionaria como uma ligação inicial com o restante do grupo e ofereceria proteção durante esse período.

Criado inicialmente por humanos, Punch também precisou aprender sinais sociais que outros filhotes costumam adquirir desde cedo observando a mãe e convivendo diretamente com seus semelhantes. Segundo as pesquisadoras, os vídeos isolados publicados na internet dificultam uma avaliação completa, pois registram momentos específicos e não mostram todas as interações ocorridas ao longo do dia.

Alguns macacos foram retirados temporariamente

Apesar de defender que boa parte do comportamento registrado estava dentro do esperado para a espécie, o zoológico reconheceu que alguns indivíduos de posição elevada na hierarquia vinham demonstrando agressividade com maior frequência.

Por esse motivo, esses animais foram retirados temporariamente do grupo em 8 de março para que a situação pudesse ser acompanhada pelos funcionários. A instituição informou ainda que conta com três veterinários responsáveis por verificar diariamente as condições de saúde dos animais, incluindo Punch. Até aquele momento, não havia evidências de ataques capazes de colocar a sobrevivência do filhote em risco.

Ao mesmo tempo, sinais positivos começaram a aparecer. Outros macacos passaram a brincar, permanecer próximos e cuidar de Punch, fazendo com que ele passasse períodos maiores longe do orangotango de pelúcia. Reportagens e registros feitos no próprio zoológico também mostraram o pequeno macaco sendo cuidado e interagindo com membros do grupo.

A possibilidade de retirá-lo definitivamente do recinto chegou a ser defendida por alguns seguidores, mas os responsáveis pelo zoológico rejeitaram essa alternativa. Segundo a equipe, Punch já havia iniciado sua adaptação àquele grupo e uma separação prolongada poderia dificultar ou até impedir seu retorno no futuro.

O objetivo dos cuidadores continua sendo fazer com que ele desenvolva uma vida social típica de um macaco japonês. O orangotango de pelúcia permanece disponível como fonte de segurança, embora o tempo que Punch passa agarrado ao brinquedo tenha diminuído à medida que suas relações com os outros animais avançam.

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Gabriel Pietro

Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.

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