O botão da maturidade, respeitar a si mesmo é respeitar seus sentimentos

Medos, os tenho, e muitos, mas já tenho idade, ou já vivi algumas coisas, pra saber realmente o que desejo pra minha vida.

Outro dia uma amiga me disse que sentiu ou percebeu em mim que eu havia acionado o botão do “dane-se o mundo”, que não estaria mais preocupado com a opinião dos outros, e entre outras coisas, muitas coisas, entre tantas, mas lhe disse que não, o botão acionado foi outro, o da prudência, de uma possível maturidade que acho que tenho, mas não sei ainda, só vivendo irei comprovar.

Já vivi uma vida sem amor e já provei do doce sabor do que é gostar de alguém, e confesso, gostei mais desta parte, e então posso dizer, por já ter vivido, não vou entrar numa vida, outra história, sem amor, apenas por segurança financeira, por conta dos filhos, da família, dos amigos, com medo da solidão, sei o que é viver com uma pessoa a qual não amava, gostava, tinha carinho, afeto, mas faltava paixão, tesão, e digo, opinião pessoal, dói, talvez, mais do que a solidão.

Respeito quem sufoca seus sonhos e ilusões, quem renega dentro de si a vontade de viver e se conforma com aquilo que tem, não é o meu caso, decidi viver para ver o que a vida está reservando pra mim, espero que seja algo bom, mas se não for, pronto, ainda assim será vida, mas não quero viver uma mentira, ilusão, até poderia, seria fácil, mas vim com um defeito de fábrica chamando sentimento, e procuro respeitar o que sinto, pois mais do que em qualquer outra pessoa, dói em mim sentir o que sinto, e não quero o vazio de uma vida sem amor, sentido, paixão, não, pelo menos pra mim.

Quero alguém que valha a pena estar ao lado dela, mesmo com todos os problemas, crises, dificuldades, pois sei que isso passa, a vida não é sempre a mesma, mas que pelo menos eu goste, ame, admire, tenha afeição, pois já passei da idade de estar e ficar com alguém só pra dizer que não estou sozinho, tenho muito medo da solidão a dois, que é atroz e causa dores, deixa cicatrizes, provoca medo e promove traumas.

Quero me encontrar em outra pessoa, dividir coisas, uma vida, alegrias, não quero sexo, isso não me compra, nem quero ninguém dependente de mim, quero uma vida partilhada, e sim amiga, eu me importo com muitas coisas, mas devo confessar que o momento não seja um dos melhores, há algo ainda solto e perdido dentro de mim, coisa que apenas o tempo irá resolver, se você sentiu isso em mim, não é que eu seja assim, digamos que estou assim, buscando curar uma ferida e estou tomando todos os remédios possíveis para sarar logo e assim poder voltar a viver inteiro outra vez.

Talvez seja isso, a maturidade, é você ter consciência e convicção do que quer, deseja, se respeitar, respeitar seus sentimentos, saber dizer não e sim quando for possível, se reconhecer, se permitir, tentar, desistir, enfim, ter a paciência e prudência necessária para saber que um dia tudo passa, começa, termina ou chega ao meio, então, o botão está acionado, vamos esperar os resultados.

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Photo by SHTTEFAN on Unsplash

Ronaldo Magella

Ronaldo Magella é da Paraíba, Santa Luzia, professor, jornalista, radialista, cronista, poeta, já publicou três livros de crônicas e tem participação em outras cinco antologias literárias. Formado em Jornalismo e Letras pela Universidade Estadual da Paraíba, Campina Grande, PB. Solitário e tomador de café, gosta da vida pelo improviso, se cansa da monotonia, e brinca com o tédio escrevendo.

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