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Médicos alertam casal com nanismo sobre ter filhos, mas agora suas crianças encantam a todos

Quando Charli Worgan e Cullen Adams decidiram formar uma família, eles já sabiam que uma gravidez exigiria cuidados e acompanhamento genético. Os dois têm formas diferentes de nanismo, circunstância que aumentava a possibilidade de seus filhos herdarem uma das condições ou, em determinados cenários, uma combinação associada a complicações graves.

O casal, que vive na Austrália, acabou tendo três filhos. Ao longo dos anos, passou também a compartilhar parte da rotina familiar nas redes sociais, onde fotos das crianças, passeios e situações comuns do dia a dia atraíram centenas de milhares de seguidores.

Charli tem acondroplasia, a causa mais comum de baixa estatura desproporcional. A condição está relacionada a alterações no gene FGFR3 e segue um padrão de herança autossômica dominante. Cullen, por sua vez, apresenta outra displasia esquelética, descrita em diferentes reportagens sobre a família como uma forma rara de nanismo.

Foi justamente a combinação de duas condições genéticas diferentes que levou médicos a conversar com o casal sobre os possíveis resultados de uma gravidez.

Quando duas pessoas apresentam displasias esqueléticas de herança dominante diferentes, existe, em determinadas situações genéticas, a possibilidade de a criança não herdar nenhuma delas, apresentar a condição de um dos pais ou receber alterações relacionadas às duas condições. Esse último cenário pode estar associado a consequências médicas graves, razão pela qual aconselhamento e testes genéticos são especialmente importantes.

A chegada da primeira filha

Charli engravidou da primeira filha, Tilba, em 2015. A menina herdou a acondroplasia da mãe.

O nascimento fez com que a família ganhasse visibilidade nas redes sociais. Charli já compartilhava aspectos de sua vida na internet e passou a mostrar também a experiência da maternidade, incluindo momentos cotidianos e situações relacionadas à baixa estatura.

Em 2018, quando a família já tinha duas meninas, a revista Crescer relatou que Charli e Cullen usavam as redes sociais justamente para ajudar a combater preconceitos associados ao nanismo. Naquela época, o perfil já reunia cerca de 100 mil seguidores.

A segunda filha, Tully, também nasceu com uma forma de nanismo. Reportagens posteriores sobre a família indicam que ela herdou a condição associada ao pai, enquanto Tilba apresenta acondroplasia como Charli.

Além das questões médicas, Charli já falou publicamente sobre outro problema enfrentado por famílias como a dela: comentários ofensivos e preconceituosos. Ao mostrar a rotina das filhas, ela procurou normalizar situações que muitas pessoas conheciam apenas por estereótipos.

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Um terceiro bebê e uma nova espera pelos exames

A terceira gravidez trouxe novamente a preocupação com a combinação das condições genéticas dos pais.

Durante a gestação, Charli contou que realizou exames para descobrir se o bebê havia herdado alguma das alterações. O resultado indicou que o menino não apresentava nenhuma das duas formas de nanismo dos pais.

Rip nasceu no fim de fevereiro de 2021 e, segundo os relatos publicados sobre a família desde então, deverá atingir uma estatura dentro da faixa média da população.

Assim, os três irmãos tiveram resultados genéticos diferentes: Tilba herdou a condição da mãe, Tully apresenta uma forma de baixa estatura relacionada à condição do pai e Rip não herdou nenhuma das duas.

A própria genética ajuda a explicar por que situações como essa exigem avaliação individualizada. Na acondroplasia, por exemplo, uma pessoa afetada que tenha filhos com alguém de estatura média possui 50% de probabilidade de transmitir a condição a cada gestação. Quando os dois pais apresentam displasias esqueléticas hereditárias, porém, o cálculo depende das alterações genéticas específicas de cada um.

Hoje, boa parte da repercussão em torno da família vem justamente das imagens compartilhadas ao longo dos anos. Em vez de restringir o perfil às questões médicas, Charli costuma publicar cenas comuns da vida com os filhos, incluindo brincadeiras, passeios e momentos em família.

Essa exposição também se tornou uma maneira de confrontar ideias equivocadas sobre pessoas com nanismo. Já em entrevistas anteriores, Charli explicava que ela e Cullen trabalhavam, praticavam atividades físicas, viajavam e levavam uma rotina semelhante à de outras famílias, embora determinadas condições de baixa estatura possam exigir acompanhamento médico específico.

No caso da displasia geleofísica, uma condição rara citada em diversas reportagens sobre Cullen, manifestações podem envolver articulações, vias respiratórias e coração, e o padrão de herança varia conforme o gene responsável. Por isso, a avaliação genética de cada paciente é essencial antes de estimar riscos para os filhos.

Com Tilba, Tully e Rip crescendo diante das câmeras, as publicações da família acabaram alcançando um público muito maior do que Charli provavelmente imaginava quando começou a registrar sua rotina. Entre fotos das crianças e relatos sobre maternidade, ela transformou o perfil em um espaço onde fala abertamente sobre nanismo, preconceito e a experiência cotidiana de criar três filhos com características genéticas diferentes.

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Gabriel Pietro

Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.

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