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Médicos encontram uma “mina de ouro” nos joelhos de uma mulher

Uma radiografia feita para investigar as dores persistentes de uma mulher de 65 anos revelou uma imagem bastante incomum: dezenas de pequenos fragmentos brilhantes espalhados pela região do joelho. Embora à primeira vista o exame parecesse mostrar algo saído de uma história de ficção, havia uma explicação médica para aquela espécie de “mina de ouro”.

A paciente, atendida na Coreia do Sul, sofria de osteoartrite nos dois joelhos e já havia passado por diferentes tratamentos para tentar controlar a dor. O caso foi apresentado por médicos no New England Journal of Medicine em dezembro de 2013.

Antes de chegar àquela radiografia, ela havia utilizado analgésicos e anti-inflamatórios não esteroides e também recebido injeções de glicocorticoides diretamente nas articulações. Mesmo assim, as dores continuaram. Além da pouca melhora, os medicamentos provocaram desconforto gastrointestinal, levando à interrupção do tratamento.

Foi então que a mulher recorreu a uma modalidade pouco conhecida de acupuntura.

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Pequenos fios de ouro ficaram dentro dos joelhos

O tratamento utilizado pela paciente consistia na implantação de minúsculos fios de ouro em pontos de acupuntura próximos à articulação. A técnica parte da ideia de que o material deixado no corpo continuaria estimulando esses pontos mesmo depois da sessão.

Segundo o relato médico, a mulher fazia o procedimento aproximadamente uma vez por semana e aumentava a frequência nos períodos em que a dor ficava mais intensa. A colocação de pequenos segmentos de fios de ouro por meio de agulhas já foi utilizada em alguns países asiáticos como tratamento complementar para osteoartrite e artrite reumatoide.

Foi justamente esse material que apareceu de forma tão marcante na radiografia.

O exame do joelho esquerdo mostrou numerosos fios radiopacos distribuídos ao redor da articulação. Também foram identificadas alterações compatíveis com a própria osteoartrite, como esclerose subcondral, formação de osteófitos e possível estreitamento do espaço articular.

Ou seja, a “mina de ouro” vista pelos médicos tinha uma origem bem menos misteriosa: eram vestígios do tratamento realizado anteriormente pela paciente.

Procedimento pode dificultar exames posteriores

Embora as imagens sejam curiosas, a presença desses materiais no organismo levanta preocupações médicas.

Fios metálicos implantados nos tecidos podem dificultar a interpretação de radiografias porque acabam encobrindo partes das estruturas que os médicos precisam avaliar. O próprio relato publicado no New England Journal of Medicine chamou atenção para essa possibilidade.

Especialistas também apontam possíveis complicações associadas à permanência de corpos estranhos no organismo, entre elas inflamação, infecção e formação de alterações nos tecidos ao redor do material. Há ainda preocupação com exames de imagem que utilizam campos magnéticos, dependendo da composição e das características do objeto implantado.

Outro ponto importante é que a eficácia dessa modalidade específica de acupuntura com fios de ouro para tratar osteoartrite não é sustentada por evidências científicas robustas. Reportagens médicas posteriores sobre o caso destacaram que o procedimento continua sendo utilizado em algumas regiões da Ásia, apesar das dúvidas sobre seus benefícios e dos possíveis riscos relacionados aos implantes.

No caso da paciente sul-coreana, a radiografia acabou se tornando tão incomum que foi publicada como uma imagem clínica no New England Journal of Medicine. O exame mostra com clareza os numerosos fios metálicos deixados ao redor do joelho, ao mesmo tempo em que revela as alterações provocadas pela osteoartrite que originalmente levaram a mulher a procurar tratamento.

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Gabriel Pietro

Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.

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