Júlia Guglinski

A limpeza do mundo também é responsabilidade sua.

Às vezes costumo usar a madrugada para refletir sobre a vida… Em como alguns sofrem, enquanto outros desfrutam de maior felicidade… Em como podemos ter tanto, quando o outro não tem nada, nem o mínimo, nem o digno. Refletindo em quão superficiais podemos nos tornar, até virar algo crônico. Pensando que, em cada pedacinho do mundo existe vida nascendo, em cada momento… Como agora, por exemplo… Ou então uma vida deixando os solos terrenos rumo a algum lugar que buscamos compreender… Seres noturnos e diurnos, criaturas já descobertas e algumas ainda nem vistas ou catalogadas… Penso na paz e na guerra, em como elas se diluem em um conflito que nunca acaba, e sempre se inicia através da mais pura estupidez humana. Fico pensando nos filhos que nos deixam, por conta de suas rebeldes atitudes inocentes, enquanto outros, aprendem através de uma semelhante observação sagaz como de uma coruja velha, e sábia… Reflito sobre até qual profundidade pode ir o sofrimento, e se ele tem cura, um mínimo e suave alento… Como também, se as pessoas frias poderiam algum dia sentir o que é a dor, seja ela qual for, para que possam aprender a não magoar alguém. Fome… Sede… Miséria… Chantagem… Culpa… Ego… Humilhação… Descaso…. Ódio… Deixar de lado as palavrinhas sujas que corrompem nossa humanidade e permitir fluir as escassas qualidades. Aquele bom dia que não foi dado… Um sorriso latente… Um beijo sem desejos… Um abraço sem enlace algum…. Pessoas que estão tão próximas da carne, e tão distantes da alma umas das outras. Por que nós insistimos em destilar nossos piores fantasmas? Não sabemos doar sem receber, nem agradecer sem levar o troco para casa. Criamos nossos filhos para o mundo que enxergamos, e não para um mundo que idealizamos… E assim, eles sucumbem diante do nosso próprio nariz, e inércia. Cuidamos e vibramos mais com os fracassos do próximo, do que com nossas virtudes ainda adormecidas, e que talvez nunca acorde… Pois não temos tempo para cuidar de nós mesmos… O nosso relógio particular está cuidando do outro… a vida que não nos pertence tem mais graça, ou desgraça… Cansados das mesmas tolices nos noticiários. Não dói ver alguém comendo lixo, enquanto nossos chiliques imperam? Mas digo dor mesmo, reflexão… se colocar no lugar do outro. Matar? Por que matar? Exaustivo ver as mesmas futilidades e indiferença em cada esquina que atravesso. Cansada de ver gente sofrendo, quando a solução está batendo na nossa cara. Triste quando vejo crianças puras, cheias de energia e talentos para estampar nossos jornais sujos com lindos feitos e poesias, nadarem contra a corrente de adultos inescrupulosos. Nossos “Colarinhos brancos” corrompidos, nunca deveriam ter saído de suas bolhas de cristais egoístas, onde ali se formaram sem valorizar o suor dos pais, por consequência, não valorizando suas futuras famílias. Seus rebentos só servirão para popular o planeta, caso não haja uma reciclagem de valores. Os espíritos emocionais que ainda nos restam, sobrevivem através daqueles que se importam, selecionando com mérito gente do bem. Essa loteria é muito mais drástica e cara, do que uma Mega Sena, podem apostar nisso! Alguém paga para ver este futuro e tem coragem de buscar os resultados? Um conselho: Ame mais do que seu coração possa aguentar. É tudo que ainda nos resta.

Imagem de capa: Jelena Aloskina/shutterstock

Júlia Guglinski

Treinadora e comportamentalista de cães. Atriz de teatro, cantora e compositora.

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Júlia Guglinski

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