A conversa sobre “filme do ano” já não espera mais a temporada de premiações: hoje ela começa no cinema e continua rapidinho no sofá.
A janela entre a estreia e o streaming encolheu tanto que, quando o burburinho do tapete vermelho ainda está quente, muita gente já está assistindo em casa — e comparando, cena a cena, com o que pode aparecer forte no Oscar.
No embalo dessa lógica, “Uma Batalha Após a Outra”, apontado por muita gente como o nome mais comentado para o Oscar 2026, acaba de entrar no catálogo da HBO/Max neste fim de 2025. É o tipo de lançamento que chega com rótulo de “candidato sério” antes mesmo de a poeira baixar.
A trama se passa em um Estados Unidos governado por um regime fascista e acompanha a rotina (e o desgaste) de uma guerrilha comunista que atua na clandestinidade.
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Paul Thomas Anderson dirige e também assina o roteiro, com Leonardo DiCaprio, Benicio Del Toro, Teyana Taylor e Sean Penn no elenco principal — um pacote que, sozinho, já puxa atenção de festival e de academia.
Logo de cara, o filme faz questão de atropelar qualquer expectativa de “introdução calma”.
A crítica da Fórum destaca que os primeiros 15 minutos estão entre os mais acelerados do cinema recente: trilha em alta rotação (Jonny Greenwood, do Radiohead, no comando), ação imediata e o grupo guerrilheiro French 75 entrando em cena numa operação para libertar imigrantes mantidos em um campo de concentração.
É um começo que joga o público no meio do caos sem pedir licença.
A líder do French 75 é Perfidia Beverly Hills (Teyana Taylor), e a dinâmica do grupo ganha outra camada com Bob Ferguson (Leonardo DiCaprio), um revolucionário cheio de hesitações, paranoias e atitudes que beiram o caricato.
O filme, porém, não se preocupa em “explicar tudo” ou desenhar uma linha moral mastigada: ao longo de cerca de três horas, ele prefere soltar pistas do que entregar respostas diretas sobre quem exatamente está sendo combatido, por quais meios e com quais consequências.
O roteiro mira, com mira curta, a política e a vida social dos EUA: guerras internas (raciais, econômicas, sexuais), teorias conspiratórias e a necessidade constante de fabricar inimigos para manter o país funcionando no modo conflito.
A pergunta que paira é incômoda e recorrente: quando a lógica de “guerra permanente” vira o motor principal de uma sociedade, o que sobra para qualquer ideia de futuro?
A história se organiza em dois períodos. No primeiro, vemos a ascensão e a derrocada do French 75, pressionado por uma força do outro lado da balança: o general Steven Lockjaw (Sean Penn), um supremacista que tenta se aproximar da elite política e econômica e entende que, para subir, precisa esmagar a guerrilha — e ele faz isso com eficiência brutal.
A perseguição força Bob e Perfidia (grávida) a desaparecerem; depois do nascimento da filha, Perfidia retorna à ação, enquanto o cerco aperta.
O filme então salta 16 anos e reencontra Bob na clandestinidade, em frangalhos: alcoólatra, usuário pesado de maconha e consumido por paranoia.
A filha, já adolescente, tenta viver como qualquer jovem da idade, mas cresce sob controle rígido, sem celular e com a liberdade sempre no cabresto.
Nesse intervalo, a “revolução” vira mais decoração de parede do que prática: Bob se isola, coleciona símbolos e se agarra a referências do passado, como quem tenta não admitir que ficou para trás.
É aí que a crítica aponta uma alfinetada clara de Anderson: a figura de Bob funciona como retrato de uma esquerda estadunidense desorganizada, frequentemente criticada por não conseguir responder ao avanço do fascismo.
E o texto ainda aciona uma camada literária importante: a história é livremente inspirada em Vineland, de Thomas Pynchon, o que ajuda a entender por que o filme mistura sátira, desespero e comentário político num mesmo pacote — sem a obrigação de ficar “redondinho”.
Quando Lockjaw volta ao tabuleiro e encontra o paradeiro de Bob, o filme puxa o gatilho para a reta final. Encurralado, Bob procura Carlos (Benicio Del Toro), um mestre de artes marciais que também lidera uma rede de apoio a imigrantes.
O contraste entre os dois vira um dos pontos mais fortes: de um lado, um revolucionário perdido e reativo; do outro, alguém guiado por disciplina, método e cabeça fria. A mensagem é direta sem ser panfletária: sem organização, o discurso vira ruído.
O roteiro também dá uma cutucada em gente que se recusa a acompanhar o tempo. Em um diálogo rápido com a filha, Bob tenta entender o que significa ser não binário, trava, desiste e se afasta.
Não é uma cena longa, mas é sintomática: uma militância que não aprende a escutar, cedo ou tarde, fala sozinha.
Tecnicamente, o filme é tratado na crítica como candidato pesado a prêmios. Jonny Greenwood não entrega trilha “de fundo”: a música empurra ritmo, cria tensão constante e até coloca nervosismo em momentos mais cômicos, como se a ameaça estivesse sempre ali, respirando no cangote.
Anderson, por sua vez, parece brincar de precisão cirúrgica com câmera e montagem — a crítica cita uma perseguição na estrada em que a perspectiva alterna entre o carro de Bob e o da filha, com a câmera assumindo o movimento do veículo nas colinas e a edição acelerando a sensação de desorientação, do jeito que combina com uma sociedade armada, paranoica e vigiada por todos os lados.
Sem transformar isso em comparação automática, a própria crítica coloca “Uma Batalha Após a Outra” como um trabalho que, em fôlego técnico, bate de frente com títulos gigantes do diretor, como “Magnólia” (1999) e “O Mestre” (2013).
Isso ajuda a explicar por que o filme já chegou ao streaming com cara de “assunto obrigatório” para quem acompanha corrida do Oscar.
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