Esconder nossas fragilidades só nos faz mais frágeis do que já somos.

Nada contra as outras qualidades que há no mundo, mas o que eu mais admiro e respeito em toda gente é a sua fragilidade. Aquela não declarada, que não se anuncia mas que está ali, é parte do que somos, detalhe precioso da beleza de cada um. Fragilidade de planta, de animal sob a mira do fuzil. Fragilidade de gente.

Pensando agora com o distanciamento obrigatório, nas tantas vezes em que eu me peguei perdidamente apaixonado por alguém, primeiro eu me encantei por uma fragilidade da pessoa, o jeito inseguro como ela cruzava as pernas, sua tentativa sem sucesso de lembrar uma palavra que lhe escapava, um sorriso triste, o jeito esforçado como exercia suas outras qualidades, com o cuidado de quem conhece as próprias limitações, deliberadamente dedicada a fazer bem, a melhorar como puder. Sei lá. Gente consciente de sua imperfeição me emociona e humaniza.

Quem muito reclama de seus problemas e suas fraquezas me dá pena. Já quem segue em frente com força e com fé, apesar de suas fragilidades, me enche de ternura e gosto. Vão me perdoar os poderosos declarados, mas o que a gente tem de mais bonito é a nossa fragilidade.

Todos esses gurus de plástico se vangloriando de sua habilidade de enriquecer, essa exibição de força por todo lado, essa exposição de sucesso balizado pela quantidade de dinheiro acumulado, isso tudo me dá preguiça, enjoo, coceira, vontade de sair correndo.

É claro que eu não acho feio o sujeito ser rico, famoso, bem sucedido e feliz. Eu só acho um saco a imposição desses resultados como um padrão. Ajuda a criar uma multidão de zumbis preocupados em copiar o outro, o sucesso do outro, o caminho do outro, enquanto nem se tocam de que, no fundo, desocuparam-se de si mesmos e se tornaram incapazes de olhar o próprio caminho, reconhecer as próprias deficiências, fazer a mais simples autocrítica. Quanto engano! Esconder nossas fragilidades dos outros e de nós mesmos só nos faz mais frágeis do que já somos, presas fáceis dos picaretas de toda sorte.

Sejamos nós mesmos. Estejamos aqui. É o primeiro passo do caminho para qualquer lugar onde queremos estar.

Imagem de capa: AlessandroBiascioli/shutterstock

André J. Gomes

Jornalista de formação, publicitário de ofício, professor por desafio e escritor por amor à causa.

Recent Posts

Aos 15 anos, ele recebeu a pena de morte — mas ninguém teve coragem de executá-lo

Essa criança tinha uma maldade sem limites, foi condenado à morte, mas as autoridades não…

7 horas ago

No 83º andar da Torre Sul, ela soube que era o fim e fez um pedido inacreditável que emociona a todos até hoje

O ano era 2001. Ela sabia que não sairia dali com vida. Mesmo assim, sua…

7 horas ago

A decisão desta mãe sobre a mancha do bebê gerou revolta — até que o motivo veio à tona

Ela foi chamada de 'monstro' por tentar salvar o próprio filho...

8 horas ago

Ela fingiu ser amiga da rival para cometer um crime sem precedentes no Brasil

Ela conquistou a confiança da esposa do amante, entrou na casa como uma amiga... E…

9 horas ago

Uma geração inteira se lembra dela como Paquita — mas poucos sabem como ela está hoje

Ela foi uma das paquitas mais queridas do Brasil. Anos depois, sua transformação está chamando…

9 horas ago

Após perder tudo, mulher passa por transformação surreal e história oculta vem à tona

A história devastadora que a internet não contou sobre as fotos policiais de Misty Loman

10 horas ago