Celebridades

Ele teve uma infância marcada pela violência do pai e os problemas psicológicos da mãe. Mesmo assim, se tornou um artista com uma fortuna astronômica

Antes de vender mais de 150 milhões de discos e transformar seu nome em um dos mais reconhecidos da música americana, Billy Joel cresceu em uma casa onde o piano dividia espaço com conflitos familiares bastante pesados. Parte dessa história ganhou novos detalhes em 2025, quando o cantor e sua irmã falaram sobre a infância no documentário Billy Joel: And So It Goes, da HBO.

Billy nasceu em 9 de maio de 1949, no Bronx, em Nova York, e ainda pequeno se mudou com a família para Long Island. Seu pai, Howard Joel, era engenheiro e pianista clássico. A música, portanto, já estava dentro de casa, embora a relação entre pai e filho estivesse longe de ser tranquila.

No documentário, Billy recorda um episódio ocorrido quando tinha cerca de oito anos. Ele deveria tocar uma sonata de Beethoven da maneira tradicional, mas resolveu transformá-la em algo mais próximo do rock. Howard reagiu com violência. Segundo o próprio músico, o golpe foi tão forte que ele perdeu a consciência por aproximadamente um minuto.

O relato ajuda a entender a tensão que cercava aquela família. A irmã de Billy, Judy Molinari, afirmou que o pai demonstrava pouca compreensão em relação ao talento e à personalidade do menino. Quando Howard e Rosalind se divorciaram, em 1957, ele deixou os Estados Unidos e posteriormente se estabeleceu em Viena, na Áustria. Billy tinha oito anos.

Décadas depois, a relação com o pai ainda apareceria em sua produção artística. A canção “Vienna”, lançada no álbum The Stranger, está ligada à experiência de Joel ao reencontrar Howard na capital austríaca. O próprio cantor reconheceu, ao rever sua história para o documentário, que passou boa parte da vida procurando de alguma forma aquela figura paterna que havia desaparecido de sua rotina.

A mãe criou os filhos sozinha e enfrentava sérios problemas com o álcool

Com a separação, Rosalind Joel ficou responsável pelos filhos e precisou trabalhar para sustentar a casa. Ao mesmo tempo, era ela quem mais incentivava Billy a estudar música. Foi por insistência da mãe que ele começou a ter aulas de piano ainda aos quatro anos.

A convivência, porém, também tinha momentos difíceis. Billy descreveu Rosalind como uma mulher extremamente carinhosa, mas muito solitária. Segundo ele, ela bebia para lidar com essa solidão. Judy contou que a mãe podia passar horas chorando e gritando depois de começar a consumir álcool.

A família acreditava que Rosalind provavelmente tinha transtorno bipolar, embora não haja indicação de que ela tenha recebido um diagnóstico formal na época. Esse detalhe importa porque muitas reportagens acabaram resumindo a história dizendo simplesmente que ela “era bipolar”. O que Judy relatou foi a percepção posterior dos filhos diante das mudanças intensas de comportamento que presenciavam dentro de casa.

Ainda assim, foi Rosalind quem continuou pagando as aulas e estimulando o filho a tocar. A combinação era contraditória: a mesma casa que oferecia instabilidade também continha o instrumento que acabaria mudando completamente a vida de Billy Joel.

Leia tambémA menina que dormia com os cães cresceu e se tornou uma das vozes mais intensas da América Latina

Leia tambémEsta foto do Oscar de 1975 parece normal até você reparar no detalhe que virou debate

O menino do piano chegou a aprender boxe

Na adolescência, tocar piano não ajudava exatamente Billy a se encaixar entre os garotos de seu bairro. Ele sofria provocações por andar com livros de música e acabou aprendendo boxe para se defender. Chegou a disputar lutas amadoras antes de abandonar o esporte depois de quebrar o nariz.

A música logo começou a ocupar praticamente todo o seu tempo. Ainda adolescente, ele tocava em bares e clubes até altas horas para ajudar financeiramente a mãe. A rotina chegou a prejudicar seus estudos: Billy faltou a uma prova de inglês depois de trabalhar durante a madrugada e não se formou junto com sua turma do ensino médio.

O começo profissional também passou longe de um sucesso instantâneo. Seu primeiro disco solo, Cold Spring Harbor, foi lançado em 1971 e teve pouco impacto comercial. Em 1973, já contratado pela Columbia Records, ele lançou Piano Man. A faixa-título se tornou seu primeiro single a chegar ao Top 20 nos Estados Unidos e, aos poucos, começou a transformar o pianista desconhecido em um nome reconhecível.

O álbum que mudou tudo

A grande virada veio em 1977 com The Stranger, produzido por Phil Ramone. O disco reuniu músicas como “Just the Way You Are”, “Movin’ Out”, “Only the Good Die Young” e “Vienna” e levou Billy Joel para outro patamar comercial. O trabalho superou a marca de 10 milhões de cópias vendidas nos Estados Unidos e recebeu certificação de diamante.

“Just the Way You Are” ainda lhe rendeu os Grammys de Gravação do Ano e Canção do Ano. Ao longo da carreira, Billy conquistou cinco Grammys em 23 indicações e acumulou 33 músicas no Top 40.

Os números continuaram crescendo. Seu site oficial registra mais de 150 milhões de discos vendidos, além da entrada de Joel no Rock & Roll Hall of Fame em 1999 e no Songwriters Hall of Fame em 1992. Em 2014, ele recebeu o Gershwin Prize for Popular Song, concedido pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos.

O sucesso também se transformou em patrimônio. Estimativas publicadas em 2025 e 2026 colocam a fortuna de Billy Joel em torno de US$ 250 milhões, embora valores desse tipo sejam aproximações e não dados financeiros divulgados oficialmente pelo cantor.

A distância entre aquela infância em Long Island e o homem que venderia dezenas de milhões de discos é enorme. E há uma ironia difícil de ignorar: o instrumento associado a uma de suas lembranças mais violentas do pai acabou se tornando justamente o elemento central de sua carreira. O garoto punido por tocar Beethoven do seu próprio jeito cresceu e ficou mundialmente conhecido como Billy Joel, o “Piano Man”.

Leia tambémUma festa do pijama terminou com uma decisão que nenhum pai imagina ter de tomar

Compartilhe o post com seus amigos! 😉

Gabriel Pietro

Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.

Recent Posts

Diana e Michael Jackson só se encontraram uma vez, mas o que aconteceu depois surpreende

Há fotografias que ganham outro peso com o passar dos anos. Em julho de 1988,…

12 minutos ago

Ela sofreu uma violência terrível aos 15 anos. Décadas depois, seu filho virou um fenômeno mundial

Antes dos milhões de discos vendidos, dos estádios lotados e de um sobrenome conhecido em…

31 minutos ago

A menina que dormia com os cães cresceu e se tornou uma das vozes mais intensas da América Latina

Antes de ser reconhecida pela voz rouca, pelo poncho vermelho e por interpretações capazes de…

2 dias ago

Esta foto do Oscar de 1975 parece normal até você reparar no detalhe que virou debate

Há fotografias antigas que sobrevivem como simples registros de uma época. Outras começam a ganhar…

2 dias ago

Uma festa do pijama terminou com uma decisão que nenhum pai imagina ter de tomar

Uma lata de desodorante é um objeto tão comum dentro de casa que dificilmente desperta…

2 dias ago

Novas imagens do filho de Angelina Jolie e Brad Pitt provocam a mesma pergunta entre os fãs

Crescer diante das câmeras quando seus pais estão entre os atores mais conhecidos de Hollywood…

2 dias ago